A maior parte da carreira de Carlito ele passou no Primavera. Ele não tinha do que se queixar: “Era um time que não pagava muito, mas sempre pagava em dia. E isso era uma coisa boa. O salário era garantido e dava confiança para a gente. O Pedrosinho (José Pedroso de Moraes, presidente do clube) tinha a loja de tapetes e nunca deixava o pagamento atrasar”. Além disso, as propostas que chegavam para tirar Carlito do time eram recusadas. “Eu tive proposta do Fluminense, mas o Pedrosinho pediu alto. Teve também um interesse do Palmeiras, que acabou não indo para frente. O certo é que fui ficando no Primavera”, diz ele. Em 1968, quando precisava reforçar para disputar a Taça Brasil, o campeão do ano anterior, o Água Verde, pediu Carlito por empréstimo para o Primavera, que cedeu. Depois ele voltou para o clube.

Outros jogadores do Primavera saíram para várias equipes. Vitor, zagueiro, foi comprado pelo Cruzeiro. Celso e Mario foram para o União Bandeirante. “Sem contar o Japonês, que foi comprado pelo Grêmio de Maringá”, diz ele. Carlito, no entanto, foi ficando. E ajudando o time a aprontar das suas. Numa segunda-feira, dia 2 de agosto de 1965, a Tribuna trouxe na primeira página o destaque esportivo do fim de semana: o surpreendente massacre do Primavera sobre o Atlético em pleno estádio Joaquim Américo, no sábado anterior, dia 31 de julho. Foi um chocolate de 4×0. Carlito garante que resultados como aquele embora não fossem comuns, também não eram novidades: “O Primavera era um time atrevido. Tinha esta característica. Às vezes perdia de um time pequeno, mas endurecia e ganhava dos times grandes. Mesmo que não ganhasse, quando jogava contra os times grandes, o futebol do Primavera crescia”. No entanto, o jornal não queria saber e estampou na primeira página: “Impiedosa goleada impôs o Primavera ao Atlético liquidando uma escrita que perdurava desde o ingresso do clube do Taboão na Divisão Especial”.

Este chocolate histórico foi construído no segundo tempo. Gols marcados por Leleco, Renatinho, Anacir e Ademar, que “marcou o tento mais espetacular da tarde”. Ademar “driblou Zig com duas fintas estonteantes, passou por Adilson com muita classe, investindo rapidamente contra a cidadela de Paulo Roberto. Na saída do goleiro, atirou com maestria para as redes, selando a sorte cotejo. Um golaço do ‘Tank’ primaveril”. Nas páginas internas o jornal explicava que “o escore, na verdade, foi surpreendente, pois ninguém em sã consciência poderia antecipar o débâcle rubro-negro, principalmente por uma contagem alarmante. Não se pode, porém, tirar os méritos da maiúscula vitória do time orientado por Adão Plínio da Silva. Foi liquida e insofismável. Também o placar espelhou fielmente a melhor conduta do vencedor”. Neste mesmo ano o Primavera derrotou o Coritiba por 3×2.

E assim foi a vida do Primavera que foi aprontando enquanto o futebol ainda estava num estágio intermediário entre o amadorismo e o profissionalismo. Quando os times da capital passaram a investir pesado no profissionalismo, principalmente a partir de 1968, contratando jogadores famosos em todo o Brasil e pagando salários altos, o tricolor do Taboão percebeu que o jogo tinha ficado pesado e simplesmente fechou as portas em 1969. O clube dependia de seu presidente, Pedrosinho. E ele percebeu que não podia acompanhar o ritmo de investimento que se avizinhava com o novo futebol e bateu em retirada. E, assim, finalmente, liberou Carlito que ganhou passe livre e foi para o Rio Branco de Paranaguá, onde jogou três meses. E depois ele foi para Cascavel, onde ficou a temporada seguinte. “No Cascavel eu joguei com o Altevir”, diz ele. E de Cascavel, um empresário o levou para o Nordeste do Brasil, onde ele provou o gostinho de ser campeão pelo Sergipe e vice-campeão no ano seguinte pelo Moto Clube, do Maranhão. No entanto, a sua carreira estava chegando ao fim. Os seus melhores anos foram consumidos no Taboão com a camisa tricolor, além da passagem pelo Água Verde, para dis,putar a Taça Brasil de 1968.