O automobilismo sempre foi um dos esportes em que o dinheiro corria com mais facilidade. Competições de velocidade atraíam mídia, patrocinadores e muita verba, que permitia que algumas categorias transformassem seus cenários em verdadeiros “circos”, como a Fórmula 1.

A temporada 2010 do Campeonato Mundial de Carros de Turismo (WTCC) começa hoje em Curitiba sob o impacto da crise. Duas montadoras, Lada e Seat, abandonaram oficialmente a categoria. A BMW, que tinha o maior staff da competição, reduziu drasticamente os investimentos. O campeonato que servia como marketing direto das empresas para o público final correu risco de ficar esvaziado. Mas conseguiu chegar ao Brasil com 19 carros na pista, número próximo ao do ano passado. As provas de hoje, no Autódromo Internacional de Curitiba, começam às 14h20 e às 15h35.

Mesmo assim, houve impacto. “A BMW tinha cinco carros, três no time principal. Ficamos só eu e o Andy (Priaulx)”, resume o curitibano Augusto Farfus, único brasileiro da categoria e maior vencedor da história do WTCC, subindo ao topo do pódio por 15 vezes. “Corro agora por uma equipe independente, sem os mesmos recursos financeiros do time oficial da Seat do ano passado. Não fizemos um único teste da segunda metade do ano passado para cá”, lamenta o atual campeão, o italiano Gabriele Tarquini.

A vantagem teórica, em uma competição cheia de equipes independentes, passa a ser dos times oficiais da BMW (com Farfus e Priaulx) e da Chevrolet (com Yvan Muller, Robert Huff e Alain Menu). Mas quem acompanha o WTCC imagina que, mesmo com as dificuldades vistas em Curitiba, a Seat deve se recuperar na fase europeia, que 4.ª etapa, em Monza, na Itália – antes, o Mundial passa por Puebla, no México, e Casablanca, em Marrocos.

Para hoje, a expectativa do público curitibano, que deve lotar o AIC desde a manhã (há provas preliminares e a já tradicional visitação aos boxes), é de vitória de Augusto Farfus Jr. “Sempre fico feliz de correr aqui, porque é o momento de encontrar meus amigos, meus familiares e a torcida”, resume o piloto local, que sempre sonhou com a F1, mas hoje está satisfeito com o rumo que tomou na carreira. “Quando vejo as dificuldades que a nova geração de brasileiros tem para entrar na F1 e as quantias astronômicas pedidas pelas equipes estreantes, acho que fiz o certo. Aqui, tenho tranqüilidade e mais segurança”.