O banimento por toda a vida de qualquer atividade ligada ao esporte do filho de Lamine Diack, dirigente que presidiu a Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês) e de um ex-tesoureiro da IAAF por envolvimento em caso de suborno para encobrimento de doping está confirmado.

Nesta segunda-feira, a Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês) anunciou que rejeitou os recursos de Papa Massata Diack e de Valentin Balakhnichev, ex-tesoureiro da IAAF, contra a punição imposta pela entidade gestora do atletismo no mundo. O técnico Alexei Melnikov, que liderou o programa de longa distância do atletismo russo, também teve a sua punição confirmada.

O comitê de ética da IAAF impôs o banimento em janeiro de 2016 por uma suposta conspiração para extorquir dinheiro da atleta russa Liliya Shobukhova, que já foi campeã das Maratonas de Boston, Chicago e Londres, para esconder um caso de doping antes dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Posteriormente, ela se tornou uma delatora do esquema de doping da Rússia.

“O painel concluiu que, com base nas provas apresentadas, as acusações contra Balakhnichev, Melnikov e Diack foram estabelecidas além de qualquer dúvida razoável”, disse a CAS em um comunicado. Espera-se que o veredicto completo seja publicado posteriormente.

No caso envolvendo Shobukhova, de acordo com a TV alemã ARD, em documentário divulgado em 2014, a maratonista teria pago 450 mil euros (aproximadamente R$ 1,67 milhão) a dirigentes russos para que não fosse punida. Ela competiu em Londres-2012, mas não completou a maratona.

Quando Shobukhova foi suspensa por dois anos 2014, seu marido teria recebido um reembolso de 300 mil euros (R$ 1,1 milhão) de uma conta em Cingapura ligada a Papa Massata Diack, de acordo com a investigação da IAAF.

Papa Diack, então consultor de marketing da IAAF, está sujeito a um mandado de prisão internacional e acredita-se que ele está no Senegal, o seu país natal. As autoridades francesas desejam questioná-lo por um caso de corrupção ligado a chantagem sobre o esquema de doping dos russos que também implica seu pai, em que teria recebido mais de 1 milhão de euros (R$ 3,7 milhões). Ele foi membro do Comitê Olímpico Internacional durante anos.