A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) anunciou na tarde desta sexta-feira o resultado do julgamento dos envolvidos no escândalo de doping que abalou a equipe do Brasil antes da disputa do Mundial de Atletismo de Berlim, no ano passado. Os dois treinadores envolvidos foram suspensos por quatro anos. Enquanto isso, os cinco atletas flagrados no exame tiveram pena reduzida para um ano, o que contraria as regras dos organismos internacionais.

O escândalo estourou em agosto do ano passado, pouco antes do Mundial de Berlim, quando foi divulgado o resultado positivo do exame surpresa a que os atletas Bruno Lins Tenório de Barros, Jorge Célio da Rocha Sena, Josiane da Silva Tito, Luciana França e Lucimara Silvestre da Silva foram submetidos no dia 15 de junho de 2009, em Presidente Prudente (SP), onde eles treinavam.

Os cincos confessaram o uso de doping, assim como seus dois treinadores, Jayme Netto Júnior e Inaldo Sena. E todos foram tirados da delegação brasileira que competiria em Berlim, após serem suspensos provisoriamente. Enquanto isso, outros dois atletas que treinavam na mesma equipe, Rodrigo Bargas e Evelyn dos Santos, foram afastados das competições porque também teriam ingerido a substância proibida, apesar de nunca terem sido flagrados no exame.

No julgamento encerrado nesta sexta-feira, em Manaus, Jayme Netto Júnior e Inaldo Sena foram suspensos por quatro anos, enquanto Bruno Lins Tenório de Barros, Jorge Célio da Rocha Sena, Josiane da Silva Tito, Luciana França e Lucimara Silvestre da Silva receberam pena de apenas um ano. Já Rodrigo Bargas e Evelyn dos Santos foram liberados para voltar a competir, pois não foram flagrados em nenhum exame antidoping.

A decisão do tribunal da CBAt causou polêmica. A redução da pena dos cinco atletas para um ano, ao invés dos dois anos regulamentares, contraria as regras da Agência Mundial Antidoping (Wada) e da Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF) – essa decisão, portanto, dificilmente será mantida. Para completar, a promotoria já avisou que entrará com recurso, pois defende que os dois treinadores sejam banidos do esporte e que Rodrigo Bargas e Evelyn dos Santos também sejam punidos.