A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) lutou nos bastidores para mudar o calendário do futebol e assim priorizar a competição mais importante do País. Pela primeira vez, criou um campeonato brasileiro com duração de dez meses. Preparou quase tudo para o sucesso da competição. Esqueceu-se porém de conciliar o interesse das seleções (principal e as de base) com o dos clubes. Resultado: nesse vai-e-vém de torneios desprezíveis (Copa das Confederações e Copa Ouro) vem desfalcando algumas equipes no campeonato nacional.

O Cruzeiro, o mais atingido, perdeu Alex, Edu Dracena e Maurinho por duas semanas para o time dirigido por Carlos Alberto Parreira fazer feio na França. Enquanto isso, os mineiros eram goleados pelo Flamengo por 3 a 0 e viam a liderança do Brasileiro sob ameaça. Agora, vão liberar mais três atletas – Gomes, Maicon e Luisão – para a Copa Ouro, competição que a Fifa não reconhece como oficial. Estarão desfalcados por mais seis rodadas.

Para o diretor de Futebol do Cruzeiro, Eduardo Maluf, a convocação de mais de dois jogadores por clube pode interferir na atração do campeonato. Ele observa que a “parte técnica” fica comprometida no período das competições das quais a seleção participa. “O ideal era convocar dois no máximo por clube.”

O São Paulo ?emprestou? Luís Fabiano e Ricardinho para a Copa das Confederações e não gostou de ceder Júlio Baptista e Kaká à seleção da Copa Ouro. O Corinthians perdeu para o São Paulo e empatou com a Ponte Preta sem Gil, Kleber e Fábio Luciano, que também viajaram para a França. Caiu na tabela do Brasileiro e só voltou a vencer com os titulares no último fim de semana: 1 a 0 no Fluminense.

Prejuízo grande também é o esperado pelo Santos. Na briga pelo primeiro lugar do Brasileiro, o clube vai ficar privado da dupla Robinho e Diego e ainda de Alex e Paulo Almeida até o final de julho. Os quatro compõem a lista da sub-23. O presidente do Santos, Marcelo Teixeira, não quis falar do assunto. Mas foi tranqüilizado pelo técnico Emerson Leão, que conversou com Ricardo Gomes para definir quem poderia deixar a Vila Belmiro por um mês.

A CBF atende aos convites de outras confederações e da Fifa por motivos políticos. O próprio presidente em exercício da CBF, Nabi Abi Chedid, disse à Agência Estado que a entidade não poderia “falhar” com a Fifa, recusando-se a disputar a Copa das Confederações. Ele chegou a afirmar que a ausência do Brasil inviabilizaria o torneio. Faltou avisar isso aos clubes. Com a Copa Ouro é a mesma coisa. Interesses da diretoria da CBF em agradar a confederação de futebol que abrange as Américas do Norte e Central.

Outro clube afetado foi o Vitória. Seu principal jogador, o atacante Nádson, autor de 10 dos 18 gols da equipe baiana no Brasileiro, vai fazer falta ao time para jogar a Copa Ouro. “Isso nos prejudica muito por um lado”, disse o presidente do clube Paulo Carneiro, admitindo, contudo, que a convocação traz orgulho à torcida e valoriza o atleta.

Carneiro acha que a CBF deveria discutir com os clubes algum tipo de compensação. O Coritiba não se queixou por causa da convocação de Adriano. Tampouco o Fluminense pela perda de Carlos Alberto.