Rio – A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) desconhece a decisão da Fifa, anunciada quarta-feira por várias agências internacionais de notícias, de desobrigar clubes franceses a liberar jogadores para a disputa do Torneio Pré-Olímpico da África. De acordo com o supervisor Américo Faria, o técnico Ricardo Gomes vai continuar o trabalho de preparação da seleção sub-23 para os Jogos de Atenas, em 2004, com liberdade para convocar quem considerar melhor. “É evidente que se vier uma determinação da Fifa, vamos ter de acatá-la. Mas mesmo nessa eventualidade, sempre há margem para negociações.”

O temor é de que a medida seja estendida a outros clubes da Europa, o que poderia inviabilizar a participação de astros brasileiros nas Olimpíadas. Atletas que fazem parte dos planos de Ricardo Gomes estariam então sob ameaça de ficar fora dos Jogos: Kaká, Adriano, Luisão, Thiago Motta, Júlio Baptista são alguns exemplos.

“Não recebemos nenhuma comunicação oficial e não vimos nada neste sentido no site da Fifa. Então, o que está valendo para a CBF é a legislação vigente”, reagiu o supervisor.

Pelo que estabelece a Fifa, os clubes são obrigados a liberar seus atletas para participar de competições, de seleções nacionais, reconhecidas oficialmente pela entidade. “Recentemente, eu estava viajando pela Inglaterra e li em agências internacionais que o Milan enviara um expediente à CBF pedindo a liberação do Kaká. Cheguei aqui e não havia nada.”

O Torneio Pré-Olímpico da América do Sul vai ser disputado no Chile, em janeiro. Classificam-se para os Jogos os dois primeiros colocados.