Yokohama (AE )- Luiz Felipe Scolari afirmou diversas vezes que encerraria seu compromisso com a CBF logo após a última partida do Brasil na Copa de 2002. A cúpula da entidade – entenda-se família Teixeira – não aceita a possibilidade de perder o treinador e anunciou que pretende convencê-lo a ficar no cargo. O presidente Ricardo Teixeira já deu sinal verde para negociações e vai discutir o assunto depois que passarem as comemorações e todos os integrantes da aventura na Ásia descansarem. “O presidente quer que Felipão fique”, garantiu o tio e secretário-geral Marco Antônio Teixeira. “E sempre prevalece a palavra do presidente”, anunciou, como porta-voz, conselheiro e confidente.

A preferência dos cartolas, no entanto, não significa que Felipão aceite o desafio de comandar o time nos próximos quatro anos. O técnico admitiu, em algumas ocasiões, que o melhor é sair por cima, como fizeram Parreira, em 94, e o francês Aime Jacquet, em 98. Ambos entregaram o cargo, logo após a conquista do Mundial, e até hoje têm prestígio em seus países.

Grupo

Olhos vermelhos, emocionado, o único desejo de Felipão ontem era comemorar com jogadores e colaboradores a proeza mais importante de sua carreira. O treinador creditou o sucesso à “união, vibração, doação, amizade e participação” de todos os envolvidos no desafio. Com isso, reafirmou a idéia de que prevaleceu o espírito de “família” e deixou aberta a perspectiva de renovação. “Agradeço aos que acreditaram em mim e me puseram aqui”, desabafou. “O segredo para nossa vitória foi o que todo mundo viu: um grupo em que todos se doaram, em que todos participaram.”

Felipão pretende descansar alguns dias, assim que voltar para casa. Retorna com a sensação de dever mais do que cumprido, mas acredita que as sete vitórias consecutivas na Copa deixaram lição que pode ser levada para o dia-a-dia dos brasileiros. “Não sou político, nem gosto de política”, ressaltou. “No entanto, vimos que é possível fazer um Brasil melhor”, apontou. “Nosso povo pode ficar com a imagem de um time vencedor. Com o carinho, o amor, a amizade que os jogadores passaram. Porque esse é o caminho para termos um País melhor”, discursou, para emendar com um emocionado recado para casa. “Obrigado à minha família. E meus filhos podem saber que o pai deles é penta.”

Romário engrossa o coro do “fica”

São Paulo

(AE) – Romário surpreendeu ao falar de Luiz Felipe Scolari após a conquista do pentacampeonato. Apesar da declarada decepção pela recusa do técnico da seleção em levá-lo para a Copa do Mundo, o jogador engrossou o coro, encabeçado pelo técnico Carlos Alberto Parreira, dos que são favoráveis à sua permanência no comando do time. “Por méritos ele tem de continuar”, disse o atacante, em entrevista à Rádio Jovem Pan, lembrando até dos momentos difíceis que o treinador passou desde que deixou de incluí-lo no grupo.

O atacante também apontou Ronaldo como o melhor jogador da Copa. “Ele correspondeu todas as vezes em que foi exigido”, lembrou Romário. “Mas sabemos que, tecnicamente falando, ele ainda não apresentou seu melhor futebol por causa dos problemas que teve antes do Mundial.” Para Romário, o atacante da Internazionale deve melhorar seu rendimento ainda mais em futuro próximo.

Zagallo também é favorável à presença do técnico, a quem agradeceu pela conquista do penta. “Obrigado, Felipão! Obrigado Ronaldo!”, disse o técnico após a vitória. Conhecido por suas frases de efeito, o treinador lançou uma nova após a vitória da seleção sobre a Alemanha. “Agora é o mundo que terá de engolir o Brasil.”