Rio – Às escondidas, ao contrário dos anos anteriores, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), realizou ontem sua Assembléia Geral, na sede da Barra da Tijuca, zona oeste, para promover mudanças em seu estatuto e informar ter obtido lucro de R$ 3,1 milhões em 2004.

O encontro, que serviu para a prestação de contas da entidade, foi classificado pelo presidente do Flamengo, Márcio Braga, de um "verdadeiro desastre". "A CBF cometeu um estupro contra os clubes. Foi uma vergonha", protestou o presidente do Flamengo, revoltado pelas alterações no estatuto. "Elas foram ilegais, feriram a Constituição Federal, o Código Civil e a legislação esportiva. Vou entrar na Justiça."

Márcio Braga explicou, que pelo novo estatuto, os clubes passaram a ser considerados associações transitórias e temporárias com uma única função: a de eleger o presidente da CBF. O dirigente ainda condenou o fato de ter sido oficializado a extinção das ligas de futebol, reconhecendo-se somente a existências de duas, as das Séries A e B do Brasileiro.

Quanto ao fato de a reunião não ter sido divulgada, a assessoria de imprensa da CBF informou que "o encontro era um assunto interno" e, por isso, não foi tornado público. Mas vale ressaltar que, em anos anteriores, além de não esconder o evento a entidade realizava a reunião na Granja Comary, em Teresópolis região serrana.

"Eram 50 homens em uma sala de quatro metros de largura por dez metros de comprimento. Ficamos uns em cima dos outros", relatou o presidente do Flamengo. "Mas já fiquei feliz, porque em 30 anos de clube, foi a primeira vez que me convidaram para participar de um encontro desses. Pena que foi para assistir a uma barbaridade."