As acusações de Jade Barbosa (e de seu pai, César) não foram bem-recebidas pela cúpula da ginástica brasileira. Em longa apresentação – quase três horas, entre “palestras” e entrevista coletiva -, os principais dirigentes da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) rebateram as declarações da melhor ginasta do País, e deixaram aberta a possibilidade de processar o pai de Jade por injúria.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, na quinta-feira, Jade afirmou que o diretor médico de CBG, Mário Namba, prescreveu doses excessivas do remédio Prexige, que teve seu uso suspenso pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e que omitiu dela uma grave lesão no punho direito.

Além disso, ela acusou a supervisora da seleção brasileira, Eliane Martins, de proibir o consumo de água durante os treinos e competições. César Barbosa reclamou do repasse de verbas da CBG para as atletas, especialmente para a filha.

Eliane Martins, a primeira a falar, chegou a explicar como é o processo de seleção da CBG para garantir que não há inflexibilidade no relacionamento com as ginastas.

“Nós damos total liberdade para os técnicos das atletas acompanharem a seleção”, disse a supervisora, que fez questão de ressaltar que não há problemas com Jade. “Neste ciclo olímpico, não temos nada a reclamar da Jade Barbosa”, garantiu.

Mesmo assim, percebeu-se a mágoa por conta das declarações. Jade disse que já reclamava das dores no punho, e mesmo assim não foi informada da gravidade da lesão.

A ginasta tem uma osteonecrose do capitato quer dizer, não há vascularização (corrente sanguínea) no osso capitato, o maior do punho. “Nós detectamos este problema em janeiro deste ano”, afirmou Mário Namba.

Segundo a presidente da CBG, Vicélia Florenzano, o que houve foi uma surpresa natural da família. “Ela sentia dores no local no final do ano passado. Se ela tivesse procurado um médico durante as férias, certamente teria o mesmo diagnóstico do doutor Namba, que foi amplamente divulgado. Mas ela só foi agora, e aí obviamente gera essa polêmica”, afirmou.

Sobre o remédio Prexige, Namba garantiu que o uso foi interrompido quando ele recebeu a informação da suspensão da Anvisa. “Nós viajamos para o Japão no dia 16 de julho, e o medicamento foi proibido em 21 de julho. Só soube disso quando cheguei a Pequim”, contou. “No momento em que tive essa informação, paramos de usar a medicação e mudamos para outro antiinflamatório”, disse.

A polêmica questão da água irritou Eliane Martins. “Isso é folclore. O que acontece é que nossas ginastas tinham o hábito de tomar muita água durante os treinos, e elas precisam cuidar com isso porque ganham peso. E uma ginasta acima do peso corre sérios riscos de lesões”, comentou a supervisora, que garantiu que não há proibição.

“O que fazemos é controlar o consumo de água durante os treinos”, afirmou. A supervisora chegou a dizer que o excesso de água prejudicou, em última análise, a ginástica brasileira. “Antes da chegada dos técnicos estrangeiros, nossas atletas bebiam muita água. E não conseguimos resultados. Depois, vocês sabem o que aconteceu. Elas tomam água no momento que querem, mas não vão consumir em excesso”, reafirmou Eliane Martins.

Sobre as declarações dadas à imprensa por César Barbosa, pai de Jade, a presidente da CBG aguarda a manifestação da assessoria jurídica da entidade. “Estamos aguardando uma orientação, se for o caso, vamos buscar nossos direitos”, disse Vicélia Florenzano, que assegurou que não haverá represália. “Prejudicar a Jade, jamais”, finalizou.