Los Angeles – A atleta norte-americana Marion Jones se dopou pouco antes dos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, quando conquistou três medalhas de ouro. A afirmação foi feita ontem por ninguém menos que o chefe do laboratório californiano Balco, Victor Conte. O laboratório é acusado de produzir e distribuir entre os atletas o esteróide THG – substância proibida pela legislação esportiva.

Conte afirmou que viu a própria Jones aplicar as injeções. "Ela foi orientada como deveria fazer, e logo em seguida ela mesma aplicava a injeção em uma das pernas. Eu estava sentado à sua direita", relatou. Conte garantiu que se tratava do hormônio EPO (eritropoyetina) e THG.

"Eu trabalhei com ela, e neste tempo, ela passou em todos os testes, inclusive para os Jogos Olímpicos de Sydney", disse Conte. Ele revelou ainda que, entre outras drogas, entregou à campeã olímpica uma sustância denominada "The Clear", um coquetel de THG, EPO e insulina.

Ganhadora da medalha de ouro nos 100m e 200m e nos 4x400m em Sydney, Jones foi bronze nos 4x100m e no salto em distância, mas jamais foi flagrada nos exames de controle de doping. De acordo com o próprio Conte, porque ainda não havia controle para aquele tipo de substância. Até agora, a campeã olímpica se dizia inocente. Admitia apenas que havia tomado suplementos vitamínicos oferecidos pelo laboratório.

Os advogados da atleta tentaram desqualificar as acusações. "As declarações de Conte não têm credibilidade, por se tratar de um condenado pela Justiça", disse Rich Nichols, um dos advogados de Jones. "Nós o desafiamos – exatamente como Marion Jones – a submeter-se a um detector de mentiras", acrescentou.

Wada

O diretor da Agência Mundial Antidopagem (Wada), o advogado canadense Dick Pound, disse que vai convocar a atleta para depor. "Eu diria que agora é o momento em que devemos provar sua (de Jones) credibilidade e decidir quem fala a verdade. Ela ou ele (Conte)."