Tuta encara a marcação: empate
foi ruim para ambas as esquipes.

Tudo igual no clássico. O 1 a 1 de sábado entre Coritiba e Paraná não mudou o rendimento das duas equipes no Campeonato Brasileiro, não criou crises nos clubes, não terminou com nenhum tabu e, pior, não teve muitos momentos de emoção. Para as pouco mais de 11 mil pessoas que foram ao Alto da Glória, a sensação ao sair é que falta ainda muita coisa para os dois times embalarem na competição.

Também ficou provado que o excesso de mistério não ajuda. O técnico Paulo Campos escondeu a escalação até onde pôde, mas a entrada de Gilmar no meio-de-campo foi tão frustrada que o volante acabou expulso ainda no primeiro tempo, após duas faltas duras cometidas em um espaço de cinco minutos. Alexandre, a outra cartada, ficou devendo e aí o sistema “revolucionário” teve que contar com o golaço de Axel.

Só que o Coritiba, por sua vez, também não fez por onde conseguir a vitória. O Alviverde continua com seus problemas crônicos na armação, onde Ricardo, Alexandre Fávaro e Rodrigo Batata não conseguem se firmar. Para completar, Luís Carlos Capixaba foi expulso, dificultando o trabalho coxa no clássico e o de Antônio Lopes para a partida de domingo contra o Cruzeiro. Pior: além do armador, Luís Mário e Reginaldo Nascimento também estão suspensos.

Outra ponderação que pode ser feita após o jogo de sábado é sobre o árbitro Héber Roberto Lopes. Não há o que reparar quanto à parte técnica, mas a soberba dele cria um clima de tensão entre os jogadores, que desaguou na série de faltas graves e nas expulsões de Gilmar e Capixaba, que segundo pessoas que conversaram com o árbitro após o jogo, teria sido fruto de uma confusão. Héber daria o amarelo pela reclamação do meia coxa, só que esqueceu que este já tinha sido advertido. Completando a cena, ele expulsou o volante paranista. Assim, o clássico ficou completamente empatado.

Gols, o único bom momento

No confronto de opostos, acabou se confirmando uma das mais antigas máximas. Desde sempre, diz-se que os opostos se atraem. E não há nada mais próximo no futebol que o empate. E foi o que aconteceu sábado, no Couto Pereira. Em um clássico de poucas emoções, Coritiba – que nada escondeu – e Paraná Clube – que escondeu tudo – ficaram no 1 x1, permancendo em posições intermediárias na tabela do Campeonato Brasileiro. Pior para o Coritiba, que segue próximo da zona de rebaixamento.

Então, que sejam lembrados os gols, que foram os principais (quase únicos) momentos da partida. E eles foram separados por apenas seis minutos. Aos 12 do segundo tempo, Luís Mário passou com precisão para Tuta. O centroavante sofreu pênalti de Carlinhos, cobrou e voltou a marcar depois de dois meses de jejum. E aos 18, Axel dominou com estilo, preparou o chute e mandou um tirambaço de fora da área, acertando o ângulo superior direito do gol de Fernando. Um golaço.

Gol que não explica o que foi a partida. O que mais aconteceu no Alto da Glória foram faltas, passes errados e excesso de marcação. O Paraná entrou em campo preocupado em segurar o Coritiba, que não soube se desvencilhar do ?ferrolho? tricolor. Além disso, algumas individualidades não apareceram: no lado alviverde, Adriano teve uma atuação abaixo do normal; pelos paranistas, Galvão sucumbiu ante à correta marcação de Miranda.

O jogo teve, no primeiro tempo, uma estrela maior – o árbitro Héber Roberto Lopes, que teve trabalho para conter jogadores que pensaram muitas vezes mais em fazer faltas do que em jogar. Alguns lances chegaram a assustar: a falta de Miranda em Galvão, o carrinho de Capixaba em Beto, a infração de Edinho sobre Rafinha, o “rodo” de Gilmar sobre Roberto Brum. E, fruto dessa agressividade, Gilmar e Capixaba acabaram expulsos – o volante paranista, pela falta; o meia coxa, pela reclamação.

Só a PM comemorou

Gisele Rech

Dos males, o menor. Se por um lado a falta de apelo do clássico de sábado levou apenas 11.456 torcedores, por outro, os ânimos menos exaltados dos torcedores garantiram a paz nas arquibancadas. A única ocorrência do jogo foi a ação de um menor de idade que ateou fogo em uma touca de lã e a atirou do segundo anel, quase atingindo uma torcedora que passava por baixo. “Foi um sucesso”, comemorou o comandante da operação, Major Borba.

“A torcida do Paraná é menos inflamada que a do Atlético e raramente nos traz grandes problemas.” Os “bons antecedentes” dos tricolores fizeram com que o policiamento autorizasse a venda de ingressos para a torcida paranista no Couto Pereira, momentos antes do jogo. A ação evitou os problemas ocorridos no primeiro clássico do Brasileirão do ano passado, quando o fechamento das bilheterias no dia do jogo revoltou a torcida, que tumultuou a entrada dos fundos do Couto. “Essa decisão é controversa. Em jogos que prevemos pouco público, não há necessidade de vetar a venda no dia e local do jogo.”

Antes do jogo, o major Borba comentou que um jogo sem nenhum incidente, não é clássico. Mas não há como negar que nos últimos jogos, as confusões têm diminuído. “Com o tempo, estamos aprendendo. A cada jogo fazemos um relatório detalhado e tentamos melhorar para o seguinte”, comemora o major Borba.