Walter Alves
Dirigentes dos dezesseis clubes da Série
Ouro reuniram-se ontem, na Federação.

No arbitral do campeonato paranaense de 2005, os clubes do interior ganharam de goleada dos da capital. Unidos, conseguiram fazer valer, por meio da votação, as duas propostas da competição apresentadas pelo Cianorte.

Desta forma, para o ano que vem, está abolida a disputa entre chaves Norte e Sul, que havia sido “ressucitada” este ano. Os clubes do interior entenderam que esta fórmula prejudicou financeiramente os clubes que não jogaram a primeira fase com o “trio-de-ferro”.

Desta forma, ficou definido que para o Paranaense 2005, que será disputado entre 19 de janeiro e 17 de abril, os dezesseis clubes da Série Ouro serão divididos em dois grupos, nos quais as oito equipes jogarão entre si, em 14 datas (con turno e returno). No grupo A, ficaram as equipes com classificação ímpar no estadual deste ano (1º, 3º, 5º etc): Coritiba, Cianorte, Adap, Roma, União Bandeirante, Rio Branco, Paraná Clube e Engenheiro Beltrão (campeão da Série Prata). No grupo B estão Atlético, Londrina, Paranavaí, Iraty, Malutrom, Francisco Beltrão, Nacional e Imperío Toledo (vice da Série Prata).

Após os 14 jogos da primeira fase, classificam-se para a fase seguinte as quatro melhores equipes de cada grupo, que seguem às quartas-de-final. Essa fase será disputada em apenas uma partida, com cruzamento olímpico, valendo o mando para a equipe melhor classificada na fase anterior. A renda desta partida será dividida entre as agremiações adversárias.

Classificados os quatro semifinalistas, eles partem para uma disputa em dois jogos, cabendo a cada um a renda de seu mando de jogo. Na final, a decisão também acontecerá em dois jogos, com vantagem do jogo final com mando para a equipe de melhor campanha em todas as fases.

Penalidades

Além de ver a sua proposta de disputa escolhida, a turma do interior também levou a melhor no ítem “critério de desempate”. Os clubes da capital defenderam o empate como vantagem para a equipe que tivesse melhor campanha na primeira fase das quartas-de-final em diante.

Entretanto, prevendo que os clubes da capital entrariam nas fases decisivas com essa vantagem, os interioranos votaram a favor da disputa de penalidades no caso de empate a partir da segunda fase. A proposta irritou o presidente do Coritiba. “Se um time vence todas na primeira fase e ocorre de fazer uma única partida ruim e empatar na segunda fase, pode perder tudo em uma disputa de pênaltis”, lamentou.

A fórmula escolhida também não agradou muito os dirigentes da capital. Para o presidente do Paraná Clube, José Carlos de Miranda, os gastos das equipes com viagens será maior. “O campeonato regionalizado é mais econômico. Nenhum clube está podendo ficar desperdiçando dinheiro com viagens”, lamentou.

Engenheiro, novo caçula

Aquele hábito de chamar o Malutrom de caçula do futebol paranaense vai ficar na lembrança. O título de clube mais jovem vai para o “meteórico” Engenheiro Beltrão, da cidade de mesmo nome. Profissionalizado há apenas oito meses, o clube presidido por Luiz Linhares sobe para a Série Ouro após a primeira disputa na Série Prata. O resultado positivo com menos de um ano de clube não chega a surpreender Linhares. “Quando fomos convidados pelo Moura (presidente da FPF) para disputar a Série Prata, levamos a sério. Entramos pra vencer”, diz. O convite da FPF veio após a equipe de Engenheiro Beltrão ter conquistado a Taça Paraná, competição amadora.

A fórmula do clube foi investir em nomes poucos conhecidos, mas com nomes aprovados pelo treinador do início da jornada, Miltão do Ó. Hoje, o time é comandado por Itamar Belasalmas. Quatro atletas do atual elenco são remanescente da Taça Paraná e onze vieram dos juniores, que ficaram em 5.º lugar na Copa Tribuna deste ano.

O elenco

Para montar a equipe que disputará a Série Ouro de 2005, o Engenheiro Beltrão continuará contando com o apoio da empresa de transportes TPL, que tornou o clube realidade. Mas os investimentos não devem parar por aí. “Estamos prestes a acertar parceria com um clube que disputa a primeira divisão do brasileiro. Além de jogadores, receberemos auxílio financeiro”, diz Linhares, mantendo o referido clube em sigilo absoluto. A montagem do elenco deve começar em novembro, para que a pré-temporada comece em dezembro.

O estádio

O Engenheiro Beltrão ganhou a concessão do estádio João Cavalcante, que é municipal, por oito anos e está investindo R$ 50 mil em benfeitorias. Com as arquibancadas de estrutura metálica, o estádio tem hoje capacidade para 5 mil torcedores. Mas, segundo Linhares, a capacidade pode ser aumentada.

Toledo volta ao futebol

Após oito anos, a cidade de Toledo vai ter novamente um clube de futebol entre os grandes. Desta vez, representada pelo Império Toledo. A história deste clube é um tanto quanto confusa. Comandado pelo polêmico empresário Aurélio Almeida, que esteve preso no início do ano, o clube ganhou esse nome numa fusão da primeira empresa de Almeida, a Império do Atleta, com o Esporte Clube Toledo, que nasceu em 1999 e ficou conhecido como Toledão. A fusão aconteceu em 23 de julho de 2002, quando o presidente do Toledão, Hildo Johann, vendeu o clube ao empresário. Hoje Hildo é diretor do Império Toledo e Almeida o presidente.

Como Almeida também é presidente do Grêmio Maringá, que caiu para a segunda divisão este ano, a base do elenco do Império Toledo na conquista da vaga na Série Prata é formada por atletas que defenderam o Grêmio no primeiro semestre.

O elenco

Para a disputa da divisão de elite, os dirigentes do Império Toledo vão começar a montar o elenco no mês que vem e pretendem levar o grupo para fazer uma pré-temporada no México, onde Almeida detém negócios. “Não temos número ainda sobre investimentos, mas vamos montar um time à altura da Série Ouro”, disse Hildo Johann a O Estado.

O estádio

O Império Toledo manda seus jogos no estádio 14 de Dezembro, que é de propriedade da Prefeitura Municipal de Toledo. A capacidade total do estádio é de 18 mil torcedores.

A cidade

Quem ouve falar de Toledo, certamente liga imediatamente o nome da cidade a uma das mais tradicionais festas paranaenses: a Festa do Porco no Rolete. Com a predominância da criação suína na região, uma vez por ano, desde 1974, a cidade se prepara para o evento gastronômico, no qual o porco é assado inteiro no rolete, recheado e muito bem temperado.

O município de Toledo, que tem uma população de 98.189, está situado no extremo-Oeste paranaense e tem como principais atividades econômicas a suinocultura e a agricultura.