Um ou dois guardas parados na porta do quarto de Ronaldo. Esta foi a sugestão do governo colombiano para proteger o Fenômeno, que será tratado na país com ares de chefe de estado. A diretoria do Corinthians rejeitou, alegando que ele faz parte da delegação que chega nesta terça-feira a Bogotá e que a proteção tem que ser uniforme. Os militares também estão preocupados com a presença de Luís Cláudio Lula da Silva, preparador físico da equipe e filho do presidente Lula.

Eles têm o perfil de pessoas visadas para sequestro pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc – grupo que luta pela implantação do socialismo utilizando táticas de guerrilha. Ronaldo e Lulinha, que normalmente têm seguranças privados no Brasil, viajam à Colômbia escoltados apenas pelos homens contratados pelo clube.

Por isso, o cuidado nos três dias que a delegação permanecerá na cidade será triplicado, nas palavras de dois militares que fazem a revista do Hotel Sheraton, que hospeda os corintianos para o jogo contra o Independiente Medellín, nesta quarta, pela segunda rodada do Grupo 1 da Copa Libertadores da América.

Normalmente, quatro guardas armados se revezam na segurança do local. A partir desta terça serão 12 – entre estes os privados contratados pelo hotel. Eles não ficarão nos corredores do andar que os corintianos usarão, a pedido do clube, que quer privacidade.

A preocupação excessiva, focada principalmente em Ronaldo e Lulinha, tem explicação em investigações recentes do exército sobre a atuação das Farc. Foi divulgado em 2009 documentos que mostram uma guinada na estratégia do grupo, enfraquecido desde que Álvaro Uribe assumiu a presidência, há sete anos.

Em vez de focar em sequestros de políticos, ou atentados a civis em áreas comerciais, os rebeldes querem chamar a atenção, e obter dinheiro, sequestrando estrelas. Ronaldo se encaixa nesse perfil, assim como os integrantes da banda Coldplay, que visitou Bogotá na semana passada e teve segurança de militares treinados para evitar atentados.

A delegação desembarca nesta terça, por volta das 16 horas (horário local), no aeroporto El Dorado. Vai seguir direto para o Sheraton, onde os jogadores lancharão antes de irem ao estádio El Campín para fazer o reconhecimento do gramado.

Todo esse trajeto será feito com uma escolta de motos e carros, com militares armados e com o caminho definido na última hora – e que não será divulgado para a imprensa.

A orientação é que para jogadores, e até membros da comissão técnica, evitem deixar o hotel. Se o fizerem, que sejam acompanhados. Ronaldo e Lulinha terão sugestão ainda mais clara para ficar toda a sua estada em Bogotá no hotel, só saindo rumo ao estádio e ao aeroporto para voltar ao Brasil.