A Argentina estreia na Copa do Mundo neste domingo contra a estreante Bósnia-Herzegovina, às 19 horas, no estádio do Maracanã, no Rio, pelo Grupo F, com um time fora do prumo: um ataque poderoso, autointitulado Quarteto Fantástico (Higuaín, Messi, Agüero e Di María), mas com uma defesa mediana e criticada dentro do próprio país. “Não temos um Messi zagueiro”, resumiu Demichelis. A busca desse equilíbrio é o grande desafio para o técnico Alejandro Sabella encerrar um jejum de 20 anos sem título – a última conquista foi a Copa América de 1993. É o maior jejum de títulos da história. Entre os campeões do mundo, só é superado pela Inglaterra, que não ganha nada desde 1966.

Para superar essa caminhada de mil léguas, Alejandro Sabella já deu os primeiros passos. Ao longo da última semana antes do Mundial, o treinador fez a lição de casa. Na última sexta-feira, em um treino secreto em Belo Horizonte, ensaiou uma formação com três zagueiros, tirando um dos avantes para escalar um defensor. Saiu Lavezzi, que disputa posição no ataque com Higuaín, ainda sem ritmo por causa de uma contusão no tornozelo esquerdo, e entrou o defensor Campagnaro.

“É apenas uma alternativa que poderá ser usada durante o jogo. Não significa que vamos estrear dessa forma”, justificou o zagueiro Federico Fernández. Foi essa a resposta que ele encontrou diante da incredulidade dos jornalistas argentinos com a possibilidade de o time estrear na retranca. “É preciso ter variações. Vamos ver o que o treinador vai decidir”, esquivou-se.

A formação não é totalmente nova. Foi utilizada em alguns jogos das Eliminatórias Sul-Americanas e também no segundo tempo da vitória no amistoso sobre a Eslovênia por 2 a 0. Foi com ela que Sabella conquistou a Copa Libertadores quando era treinador do Estudiantes. Mesmo tendo sido testada em outros jogos, a formação mais defensiva é uma alternativa que o técnico pensa para minimizar os espaços da Bósnia, que vai optar pelo contra-ataque. Mais ou menos o que fez a Croácia contra o Brasil no jogo de abertura da Copa.

Sabella não quer surpresas. Ele deve começar com os quatro fantásticos, mesmo que Higuaín tenha perdido alguns dias de treino para se recuperar de uma torção no tornozelo esquerdo. Quer fazer um ou dois gols e depois armar o ferrolho.

UM TIME SÓ – A defesa assusta somente quando é comparada com o ataque fantástico. Nas Eliminatórias, a Argentina sofreu 15 gols em 16 jogos – quase um por partida. Em apenas quatro jogos saiu de campo sem sofrer gols. Nos amistosos, o desempenho melhorou. Nos últimos cinco, o time não sofreu gol. A defesa foi vazada pela última vez justamente no fim das Eliminatórias, em derrota por 3 a 2 para o Uruguai, em outubro.

Para o jogo deste domingo, o foco defensivo é o bósnio Edin Dzeko, que joga no Manchester City. Fernández afirmou que o rival não terá espaços. “Ele é um jogador fisicamente poderoso e que não poderá ter espaço. Temos de tomar cuidado com os cruzamentos”, afirmou.

No ataque, o apelido grandiloquente fala por si. Messi foi quatro vezes o melhor do mundo – os argentinos ainda se referem a ele dessa forma, ignorando Cristiano Ronaldo; Higuaín ficou entre os maiores artilheiros do Campeonato Italiano; Di María foi protagonista na conquista da Liga dos Campeões da Europa com o Real Madrid. Apenas Agüero teve uma temporada difícil por causa das contusões, mas é um grande jogador.

“O time é um só. Não existe uma Argentina na defesa e outra no ataque. A defesa começa lá na frente com os atacantes. E os defensores começam atacando com uma boa saída de bola”, afirmou Garay, companheiro de zaga de Luisão no Benfica. Colocar o discurso de Garay na prática é a chave para a Argentina ir longe na Copa.

BÓSNIA – A Bósnia deve apresentar um plano tático parecido com o que a Croácia utilizou na derrota para o Brasil: marcar forte, mas sem abdicar do ataque. Os bósnios, no entanto, devem explorar muito mais a jogada aérea para tentar surpreender o time de Messi. Com uma média de altura superior a dos argentinos, pretendem transformar qualquer falta em oportunidade de cruzamento para a área, buscando principalmente Dzeko.

Na defesa, o treinador Safet Susic já confirmou que deverá congestionar o meio com cinco jogadores e duplicar a marcação em Messi. Em relação à escalação, ainda não tem a confirmação do departamento médico de que poderá utilizar o meia Sejad Salihovic, que tem treinado improvisado na zaga entre os titulares. O jogador deixou a atividade da última quinta reclamando de dores na panturrilha direita e passou por exames, que não detectaram lesão, mas segue com incômodo na região.