“Estamos num momento difícil e temos consciência disso”. A análise sincera e correta de Tite, às vésperas da estreia no Campeonato Brasileiro, retrata a fase vivida pelo Corinthians. O jogo contra o Cruzeiro, neste domingo, às 16 horas, na Arena Pantanal, em Cuiabá, ficou em segundo plano. A derrota para o Guaraní, no Paraguai, pela Copa Libertadores, obrigou o técnico a escalar os reservas na partida – Cássio é a exceção. “É difícil não pensar no jogo da volta”, disse o comandante, que viu a sua equipe ir do céu ao inferno em apenas quatro meses. Os elogios (exagerados) deram lugar às críticas.

Na Libertadores, o Corinthians precisa vencer por um placar de, no mínimo, 3 a 0 para avançar direto às quartas de final. É um desafio maior do que o Cruzeiro, que, por motivo similar, terá time misto. Os principais jogadores de Tite descansam: Fábio Santos, Elias, Ralf, Renato Augusto, Jadson e Guerrero. Alguns ficam no banco de reservas para apenas fazer número.

Apesar de poupar seu time titular, Tite evita o rótulo “equipe reserva”. “Todos são tratados como equipe. Vou pegar um relato que fez o Vagner Love. Ele não jogou quarta e disse que estava demolido. Não participou e estava cansado”.

Love, principal contratação da temporada, ainda não emplacou. Fez apenas dois gols em 17 jogos e tem sido preterido até mesmo quando está no banco de reservas. Foi assim na derrota para o Guaraní a que Tite se referiu. Edu Dracena e Cristian, as outras contratações do ano, começam jogando contra o Cruzeiro. Cássio será titular porque, segundo o técnico, a posição de goleiro exige sequência de jogos.

Emerson é uma incógnita. A tendência é que jogue porque não se sabe se ele terá condição de enfrentar o Guaraní – nesta segunda-feira a Conmebol vai anunciar a sua pena por causa da expulsão na derrota para o São Paulo. Ele já cumpriu um jogo, mas poderia pegar gancho maior. O colombiano Mendoza vive a mesma situação.

Tite treinou o time reserva dois dias seguidos no CT, principalmente o sistema defensivo, em uma linha formada por Edílson, Edu Dracena, Yago e Uendel. Cristian, o volante, protegeu a zaga. O técnico sabe que é difícil dividir o elenco em duas competições, mas não abre mão do Brasileirão. Quer largar bem, mesmo escalando suplentes. “O Brasileiro é um campeonato fora dos padrões normais, com um equilíbrio muito grande, nível muito grande, pelo menos 12 equipes que começam brigando lá em cima”, disse.

O Corinthians foi campeão pela última vez em 2011, já com Tite no comando do time, montando o embrião daquela equipe que venceria a Libertadores e o Mundial de Clubes da Fifa em 2012.