A Espanha não teve problemas para confirmar a goleada anunciada sobre o Taiti. Diante de um bom público no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, os atuais campeões mundiais não precisaram dos titulares para aplicar nada menos que 10 a 0 na “zebra” da Copa das Confederações, em um duelo de Davi e Golias praticamente sem precedentes em torneios deste nível.

Fernando Torres, com quatro gols, e David Villa, três, foram os destaques da equipe reserva da Espanha no jogo válido pela segunda rodada do Grupo B. Pelo Taiti, o goleiro Roche ganhou o apoio da torcida e até o consolo de alguns espanhóis em campo, após sofrer dez gols. Ele e todo o grupo de jogadores taitianos foram aplaudidos de pé pelos torcedores no Maracanã.

O elástico placar marcou a maior vitória da história da Copa das Confederações. O triunfo superou a goleada de 8 a 2 aplicada pela seleção brasileira na Arábia Saudita, na semifinal da edição de 1999, no México.

A segunda vitória no Grupo B ainda não garantiu a classificação espanhola para a semifinal. O time europeu precisa de um triunfo ou empate da Nigéria sobre o Uruguai, ainda nesta quinta, para garantir seu lugar na próxima fase. As quatro seleções da chave voltam a campo no domingo. Os espanhóis duelam contra os nigerianos em Fortaleza, enquanto que os uruguaios enfrentam os taitianos no Recife.

O JOGO – O abismo entre os dois times podia ser constatado de diversas formas. Pelo ranking da Fifa, a Espanha lidera a tabela de classificação nos últimos anos, enquanto que o Taiti é apenas o 138.º colocado. A entidade nunca teve em seus torneios um confronto entre seleções tão distantes desde a criação do ranking em 1993.

Entre os títulos, os taitianos exibem o troféu continental da Oceania, contra duas taças europeias e uma mundial da Espanha. No quesito elenco, jogadores do Barcelona e Real Madrid, dois dos clubes mais ricos e tradicionais do planeta, compõem a equipe espanhola. O Taiti conta com somente um jogador profissional.

Diante de tal diferença, o técnico Vicente Del Bosque resolveu dar um descanso à maioria dos seus jogadores. Dos titulares, somente Sérgio Ramos, Fábregas e Iniesta, os dois últimos apenas no segundo tempo, entraram em campo. Ainda assim, o Taiti precisou enfrentar uma equipe que tinha David Villa, do Barcelona, Juan Mata e Fernando Torres, do Chelsea.

Foi por essa razão que não surpreendeu quando Torres abriu o placar logo aos 4 minutos de jogo. Ele tabelou pela esquerda, invadiu a área e bateu fraco, de forma despretensiosa. O goleiro Roche, contudo, caiu mal no canto direito e aceitou.

Parecia apenas o início da goleada anunciada. Mas a Espanha teve inesperada dificuldade para fazer valer sua superioridade no placar. A equipe dominava, mas não empolgava. Mantinha seu estilo de chegar ao ataque com facilidade. Porém, finalizava pouco. As melhores chances surgiam em erros na saída de bola do Taiti, que atuava com uma linha de cinco defensores à frente do goleiro.

O jogo era morno quando David Silva recebeu enfiada de Mata e bateu na saída do goleiro, aos 31. Em pouco mais de um minuto, Torres driblou Roche, que saiu mal do gol, e só empurrou a bola para as redes. O que parecia difícil se tornou fácil rapidamente. E, aos 38, David Silva cruzou da esquerda para David Villa completar para o gol.

Os gols em série desanimaram a torcida brasileira, que adotava o Taiti como seu xodó nesta Copa das Confederações. As raras investidas taitianas, em contra-ataques mal sucedidos, levantavam as arquibancadas, na ânsia pelo gol de honra. Foi apenas um chute a gol, defendido com tranquilidade pelo goleiro Reina.

O segundo tempo começou com mais um gol de Villa, logo aos 3 minutos. O atacante completou cruzamento de Monreal e ampliou a goleada. A contagem aumentou aos 11, com Torres. E, aos 18, Villa contou com grande ajuda de Roche para anotar mais um. O goleiro saiu mal, deixou a bola passar e só viu o atacante finalizar com muita tranquilidade para as redes. Deitado no chão, Roche foi consolado em cumprimento de Torres.

A partida, enfim, apresentava o panorama aguardado com antecedência. As estatísticas confirmavam o domínio dos favoritos. Eram 27 chutes, contra apenas um da “zebra”. Só a Espanha jogava, ciente do constrangimento do rival, o Taiti assistia e Roche lamentava. Aos 20, Mata marcou o oitavo dos europeus. Frustrado, o goleiro taitiano levantou a torcida ao fazer bela defesa, após cobrança de falta de Villa, e comemorar como se fosse um gol.

Os brasileiros também festejaram quando Torres acertou um pênalti no travessão, depois de um toque de mão da defesa taitiana, aos 31. Mas o atacante se redimiu no minuto seguinte. Lançado em velocidade, driblou Roche e marcou seu quarto gol na partida. Aos 43, David Silva ainda teve tempo de selar o placar com o décimo gol espanhol.

FICHA TÉCNICA

ESPANHA 10 x 0 TAITI

ESPANHA – Reina; Azpilicueta, Albiol, Ramos (Jesus Navas) e Monreal; Cazorla (Iniesta), Javi Martínez, David Silva, Juan Mata (Fábregas); Torres e David Villa. Técnico: Vicente Del Bosque.

TAITI – Roche; Ludivion, Vallar e Jonathan Tehau; Lemaire (Vero), Bourebare (Lorenzo Tehau), Caroine e Aitamai; Vahirua, Chong-Hue e Alvin Tehau (Teaonui Tehau). Técnico: Eddy Etaeta.

GOLS – Torres, aos 4 e aos 32, David Silva, aos 31, e David Villa, aos 38 minutos do primeiro tempo; David Villa, aos 3 e aos 18, Mata, aos 20, Torres, aos 11 e aos 32, e David Silva, aos 43 minutos do segundo tempo.

CARTÃO AMARELO – Cazorla (Espanha).

ÁRBITRO – Djamel Haimoudi (Fifa/Argélia).

RENDA – Não disponível.

PÚBLICO – 71.806 pagantes.

LOCAL – Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ).