São Paulo – Felipe Massa errou na Austrália, na Malásia e na Inglaterra, a Ferrari destruiu suas chances no Canadá, na Hungria e em Cingapura. Lewis Hamilton fez bobagens no Bahrein, em Montreal e no Japão, foi punido na Bélgica e teve um pneu furado na Hungria.

Os dois pilotos, apesar dos muitos erros ao longo de 17 etapas, começam a decidir hoje em Interlagos o título mundial da F1 em 2008. A inconstância de ambos acabou sendo a marca de uma temporada que, por isso mesmo, teve sete pilotos diferentes vencendo corridas.

A partir das 10h, quando começam os treinos livres para o GP do Brasil, nenhum deles pode se dar o direito de cometer mais algum equívoco. Massa está sete pontos atrás de Hamilton na classificação e só pode pensar em ganhar a corrida, ou chegar em segundo.

Mesmo assim, dependerá de um mau resultado do inglês, a quem basta uma quinta colocação para se tornar o campeão mais jovem de todos os tempos, aos 23 anos de idade.

Será uma batalha psicológica que, até agora, na semana da corrida, só teve sorrisos e afagos entre os dois protagonistas. De lado a lado, declarações otimistas e nada agressivas.

Ontem, em Interlagos, a dupla se encontrou numa entrevista coletiva. Deram-se as mãos (“Ele apertou demais”, gracejou Massa). Prometeram uma disputa ética e limpa, na linha “que vença o melhor”.

“Estou me sentindo menos pressionado que no ano passado”, garantiu o piloto da McLaren. O ferrarista se sente livre de qualquer obrigação. “Não temos nada a perder. Vou correr para vencer, e o ideal é a gente fazer uma dobradinha. Aí, vamos ver o que vai acontecer”, falou Felipe. “Espero que a torcida me ajude, e que seque bastante o Lewis”, brincou de novo.

Os treinos de hoje são importantes para que as equipes comecem a se adaptar às várias condições de pista que Interlagos terá neste fim de semana. As manhãs têm sido frescas em São Paulo nos últimos dias, e os inícios de tarde, bem quentes. Chuvas também são esperadas, talvez até para o horário da corrida. O “mundial dos erros” será vencido por aquele que, em Interlagos, fizer tudo certo.

Rubens Barrichello está sem carro para a temporada 2009

São Paulo – A Honda não vai renovar o contrato de Rubens Barrichello. A equipe testará dois pilotos brasileiros entre os dias 17 e 19 de novembro em Barcelona: Bruno Senna e Lucas di Grassi.

A negociação com o primeiro se deu através de sua mãe, Viviane Senna; com o segundo, via Renault, que o liberou para o teste porque acabou decidindo que Nelsinho Piquet ficará no time francês – anúncios oficiais, só daqui a alguns dias.

Para o veterano Barrichello, a situação é cada vez mais difícil. Embora o brasileiro tenha decidido fazer campanha por ele mesmo usando a experiência como cabo eleitoral, não há interesse de nenhuma equipe por seu passe. A única vaga possível seria na Toro Rosso, mas ele precisaria levar dinheiro para o time.

Ontem, em Interlagos, Rubens admitiu não ter um plano B, no caso de ficar mesmo sem um cockpit em 2009. “Não tenho pensamento fora da F1 no momento. Vou deixar para pensar nisso se tiver de pensar. Quero muito ficar. São três anos dedicados a carros ruins, então mereço ficar num carro competitivo no ano que vem.”

Barrichello disse que está disposto até a emagrecer 5 kg para compensar o peso de novos equipamentos que serão usados nos carros de 2009. “Vai ser difícil, peso 76 kg sem capacete e macacão, mas posso fazer uma dieta para mostrar à Honda que minha motivação é grande.”

A Honda, no entanto, mantém silêncio sobre o piloto. No Japão, os executivos da montadora querem Bruno Senna, pelo marketing que pode ser associado ao nome.

Se ele for bem nos testes, que servirão também para que o diretor Ross Brawn o conheça melhor, deve assinar. E como titular, não como piloto de testes. Di Grassi corre por fora e tem uma única chance: andar bem melhor que Bruno nos treinos de Barcelona.

Barrichello, se sabe das intenções da equipe, finge não saber. Alega que a Honda não preencheu suas expectativas, que teve dificuldades com os pneus Michelin no primeiro ano, 2006, que seu carro foi pouco competitivo em 2007 e 2008 e que ajudou a convencer Brawn, com quem trabalhara na Ferrari, a assumir um cargo de chefia no time. “

Fiz mais pontos do que o carro merecia neste ano, e teria feito mais ainda se não fossem problemas como em Cingapura, em que o carro morreu no meio da pista”, falou.

Seu melhor resultado foi um surpreendente terceiro lugar em Silverstone, com chuva. Barrichello marcou 11 pontos, e só chegou entre os oito primeiros três vezes. Está zerado há oito corridas.