O ex-presidente Mário Celso Petraglia, que comanda a comissão da Copa, oficializou ontem à noite, perante o conselho deliberativo do Atlético, que as obras na Arena da Baixada iniciam no dia 4 de outubro. Porém, sem ainda ter o financiamento em mãos ou mesmo a construtora contratada. Diante da incerteza de recursos, o presidente Marcos Malucelli avisou que o clube não arcará com nenhum dinheiro que tem em caixa, atualmente, para bancar obras. “Os recursos têm que ser os do orçamento da comissão, sem comprometer o orçamento do clube, que é para atender o futebol até o final do ano”, frisou Malucelli.

A reunião teve clima amistoso, tirando algumas discussões que surgiram de perguntas feitas por conselheiros e que desagradaram Petraglia. Alguns dos integrantes da atual gestão deixaram o plenário antes do fim da assembleia, sob justificativa de que nada de novo foi apresentado. No encontro, o presidente da comissão da Copa voltou a não detalhar de que maneira vai promover o lançamento das obras sem ter um orçamento fechado. “Esta resposta, especificamente, deve ser respondida pela comissão criada dentro do conselho. Não tenho condições, agora, de justificar nem de explicar. Mas eu acredito que eles, se perguntados, terão que responder”, justificou Gláucio Geara, presidente do conselho deliberativo do Furacão.

Petraglia, ao final da reunião, não quis comentar os assuntos tratados na assembleia. “Estou com a cabeça cheia”, limitou-se a dizer, ao ser questionado pela imprensa. Geara também disse ter saído sem a devida resposta. “Deram a resposta que nos próximos dias teremos visibilidade do que teremos de recursos para o início da obras”, contou Geara. Sem qualquer valor concreto em mãos, o presidente da comissão da Copa terá de atender a uma exigência dos conselheiros que limitaram em R$ 180 milhões líquidos os gastos com as obras. O clube não aceitará qualquer quantia que ultrapasse o limite dado, já excluídos tributos e isenções.

Mas há quem não acredite que as obras custem apenas isso. Nem mesmo Malucelli está confiante que a adequação da Arena da Baixada saia por R$ 180 milhões. “Não acredito que consigamos fazer só por R$ 180 milhões. Mesmo assim, ainda que façamos, temos que saber de onde vem o recurso, quanto o Atlético vai ter que entrar e o que vai ter que dar como garantia da sua parte, porque terá de emprestar e não se empresta com pouca garantia”, questionou Malucelli.

De concreto, a reunião teve alguns pontos positivos, como a aprovação da Sociedade de Propósitos Específicos (SPE) que permitirá à comissão da Copa iniciar o trâmite para assegurar as obras na Baixada. A partir de sexta-feira, com a ata da assembleia registrada, o grupo deve ganhar mais autonomia para trabalhar.