Palco dos Mundiais Paralímpicos de Natação e Halterofilismo que começam neste final de semana, na Cidade do México, o complexo que conta com a piscina olímpica Francisco Márquez mantém um “jeitão” de lugar antigo. Quem o visita pela primeira vez tem a impressão de estar em uma edificação que pouco foi alterada após ter sido inaugurada para as disputas de cinco modalidades da Olimpíada de 1968: além da própria natação e do levantamento de peso, recebeu os saltos ornamentais, o polo aquático e o pentatlo moderno daquela edição dos Jogos na capital mexicana.

Embora o complexo tenha sido reinaugurado em 2009, depois de reforma iniciada em 2008 que custou cerca de 53 milhões de pesos mexicanos (o equivalente a R$ 92,6 milhões pela cotação atual) em obras com recursos locais e federais, é notório que o lugar já carece de novas benfeitorias. Equipado com cadeiras novas nas arquibancadas preparadas para o Mundial Paralímpico de Natação, a sua própria fachada, cujo visual original foi preservado, exibe desgastes provocados pelo tempo e precisaria ganhar uma pintura em alguns pontos.

Ainda nesta sexta-feira, véspera do início dos dois Mundiais que acontecerão de forma simultânea, o local ainda estava tendo partes de sua estrutura preparadas para as competições. E dentro deste mesmo complexo está o ginásio Olímpico Juan de la Barrera, que será o palco desta disputa paralímpica do halterofilismo que está prestes a começar e que em 1968 abrigou as disputas do vôlei de quadra da Olimpíada realizada no México.

E se por um lado passa uma impressão de construção antiga, o complexo exibiu força estrutural ao resistir quase que totalmente ao forte terremoto que derrubou mais de 50 prédios e matou mais de duas centenas de pessoas em setembro passado. O local sofreu apenas pequenas avarias ao ser atingido pelos tremores, cujos estragos causaram uma enorme tragédia no país e acabaram motivando o Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês) a adiar em dois meses a realização destes dois Mundiais, tendo em vista a comoção nacional e a falta de clima para os eventos ocorrerem no período inicialmente previsto enquanto os mexicanos lutavam pela reconstrução de boa parte da capital nacional e de outras cidades também prejudicadas pelo terremoto.

Apesar do seu ar nostálgico e com uma estrutura física modesta, o complexo foi alvo de elogios de Daniel Dias, maior astro paralímpico brasileiro e que tem presença esperada em sete provas deste Mundial. Ele falou sobre o assunto ao ser questionado pela reportagem do jornal O Estado de S.Paulo sobre como foi recepcionado pelos mexicanos e sobre como se sente emocionalmente ao competir na cidade que sofreu, há pouco mais de dois meses, o segundo maior terremoto de sua história. E ironicamente exatos 32 anos após o maior deles ter matado pelo menos 10 mil pessoas na capital mexicana.

“Estou feliz de chegar aqui e ver como a estrutura está bem preparada, com uma piscina excelente, e de ver como os mexicanos estão nos recebendo bem. A gente sabe a tragédia que foi. A gente imagina como foi difícil para eles aqui, mas a gente só imagina, pois não estava aqui para ver de perto. Estou feliz de estar aqui e de repente tentar trazer uma alegria a esse povo que passou por esse momento difícil. E também por mostrar solidariedade ao povo mexicano”, afirmou Daniel Dias, em um final de discurso parecido com o do seu companheiro de seleção paralímpica André Brasil, no mês passado, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo durante o seu período final de preparação ao Mundial.