Um prêmio de consolo para Zidane: o melhor jogador em campo. Assim pode ser encarado a escolha dos observadores da Fifa sobre o desempenho do meia do Real Madrid na derrota da França para a Dinamarca por 2 a 0. Zidane, na verdade, não mereceu esse prêmio. Sua atuação foi discreta, sem brilho, e o resultado da escolha causou surpresa entre os jornalistas de diversos países presentes no estádio, credenciados pelo comitê organizados da Copa do Mundo. Alguns deles até vaiaram a decisão da Fifa.    

Zidane entrou na base do sacrifício. Ele havia ficado fora das duas primeiras partidas, por causa de um problema muscular na coxa esquerda. O técnico da França, Roger Lemerre, apostou na sua escalação diante da Dinamarca. A França jogava seu futuro na Copa do Mundo. O meia atuou com uma proteção na coxa esquerda, e movimentou-se durante o jogo. Mas a era a maior estrela em campo. No momento da divulgação da escalação da França, pelo sistema de audio e vídeo do estádio, houve uma grande festa entre os torcedores franceses e coreanos no momento que o nome de Zidane foi confirmado.          Cada vez que ele tocava na bola, era aplaudido. Mas Zidane, sentindo o reflexo da contusão e do tempo que ficou sem treinar normalmente, não pode sair da forte marcação do adversário. Aos 20 minutos, ocorreu um lance até patético: ao tentar dominar a bola na área com a perna direita, após um lançamento de Vieria, Zidane perdeu o equilíbrio e caiu, depois de virar uma cambalhota, como se fosse um veterano.         

Aos 32, ele trombou com Trezeghet na área. Mesmo com dificuldade para impor seu habitual futebol, Zidane ficou até o fim. Não pediu para sair. Após a partida, na zona mista do estádio, reservada para as entrevistas, Zidane parou para falar por alguns minutos com a imprensa. ?Estou decepcionado. Pessoalmente, foi uma decepção. É uma pagina que temos de virar. Sair da Copa do Mundo nessas condições, com duas derrotas e um empate, não dá mesmo para imaginar. Lamento pelos companheiros, pela França. É muito duro, e não adianta agora tentar encontrar resposta pelo resultado na Copa?, afirmou o meia, que evitou falar se havia jogado sem condições clinicas e físicas ideais. 

Reconheceu a superioriade de Dinamarca ao elogiar o futebol do adversário, principalmente na discuplina tática. ?Eles ainda tiveram felicidade em dois lances de ataque?, admitiu Zidane, que completará 30 anos dia 23, e não deve jogar por muito tempo pela selação francesa.