Se dentro de campo a dupla Atletiba deixou de ser referência nacional, foras das quatro linhas Atlético e Coritiba despontam como bons pagadores. É o que indica recente estudo que englobou os 14 maiores clubes de futebol do país, realizado pela Casual Auditores. O levantamento teve foco em três espécies de dívidas (empréstimos, dívidas fiscais e cíveis/trabalhistas) analisadas entre 2006 e 2009.

Atlético e Coritiba são os clubes que menos devem na praça, com destaque para o Rubro-Negro, que vai na contramão de uma tendência geral do futebol brasileiro: o aumento das dívidas fiscais a partir de 2007, ano de criação da Timemania.

Para a consultoria, o crescimento desta dívida dos clubes se deve ao fato de a loteria criada para sanear os clubes não ter trazido o resultado esperado. “A Caixa Econômica acreditava que a Timemania faturaria R$ 500 milhões por ano, sendo 46% dos recursos destinados aos times. Era muito dinheiro, mas a arrecadação foi um fracasso e os clubes continuaram pagando a mesma quantia do que foi programado no acordo inicial, de 240 parcelas”, explicou o consultor Carlos Aragaki, um dos responsáveis pelo estudo.

A consultoria elogia o Atlético por não ter se tornado extremamente dependente da Timemania para reduzir seus débitos. “Aparentemente, o clube optou pela contenção de custos. Talvez o torcedor não compreenda, mas é uma decisão consciente”, avalia Aragaki.

Bem diferente do Fluminense, que deve mais de R$160 milhões ao governo. A soma das dívidas fiscais do tricolor das Laranjeiras passa do dobro do total das pendências de Atlético (R$ 20,183 milhões) e Coritiba (R$ 50,367 milhões).

Conforme indica o estudo, o Furacão é o único clube que reduziu suas dívidas no ano de 2009 em relação a 2008 – em 13%. O Rubro-Negro também ganhou status de referência ao diminuir as pendências de empréstimos e financiamentos bancários em 47% no mesmo período.

Do lado do Coritiba, o grande feito, segundo a consultoria, foi a diminuição da dívida por empréstimos entre 2007 e 2008 -em aproximados 30%. “Por outro lado, a dívida fiscal subiu”, completou Aragaki. Apesar do impasse, o especialista destaca que as pendências do clube se estagnaram, ajudando o Alviverde a ter um dos melhores saldos gerais
em 2009.