Com casa cheia, o Morumbi receberá neste domingo um técnico que fez história como jogador em seu gramado e que agora dará seus primeiros passos como treinador naquela que considera a sua segunda casa. Contra a Ponte Preta, às 17 horas, pela segunda rodada do Campeonato Paulista, Rogério Ceni volta ao estádio para comandar o São Paulo, em uma tarde que também será festiva pela presença do argentino Lucas Pratto, atacante contratado pelo time tricolor.

Se a ansiedade do são-paulino já era grande pelo primeiro jogo de Rogério Ceni como comandante em seu campo, aumentou ainda mais depois da contratação do centroavante argentino. Os jogadores sabem que será uma partida que ficará marcada na memória. “Esperamos 40 a 50 mil pessoas para que nos apoiem e deem força para a gente fazer um bom jogo porque a gente precisa da vitória. Infelizmente na primeira rodada não fomos tão bem, então diante da nossa torcida precisamos vencer”, afirmou Rodrigo Caio.

O vínculo de Rogério Ceni com o Morumbi é enorme. Quando era das categorias de base, chegou inclusive a morar no estádio durante quatro anos. Só que foi no gramado que se destacou. Segundo Michael Serra, historiador do São Paulo, das 594 partidas que ele fez pelo São Paulo no estádio, o aproveitamento de pontos foi de 70,43%, uma média muito alta. Ele também anotou 73 gols no Morumbi.

Caso consiga repetir o seu ótimo aproveitamento como jogador agora na função de técnico, o time tem tudo para deslanchar diante da torcida. Por isso, Rogério Ceni vê o Paulistão como uma ótima oportunidade. “Toda conquista dá confiança para acreditar que se pode chegar mais longe. É muito importante a conquista do Paulista. Mas só um vai ser campeão. Espero que sejamos nós, mas temos competidores à altura. Para olhar bem de frente. Mas vamos batalhar por isso”, disse.

A estreia de Rogério Ceni no Morumbi foi em 18 de setembro de 1993, na vitória por 2 a 0 sobre o Bahia. Desde então, acumulou recordes como 242 partidas sem sofrer gol no estádio, 5.490 minutos consecutivos em ação no gramado, entre 31 de outubro de 2009 a 19 de novembro de 2011 – foram 61 duelos consecutivos – e maior sequência de minutos sem sofrer gol no Morumbi, com 794 minutos. Também tem no currículo uma invencibilidade de 24 jogos no estádio, conquistada em 2000.

Na hora que subir o túnel para pisar no gramado neste domingo, diante da Ponte Preta, um filme de sua trajetória vai passar na cabeça de Rogério Ceni. O público será menor do que os 79.710 pagantes que viram ele na vitória de 3 a 1 sobre o Corinthians, na final do Paulistão de 1998, o seu recorde pessoal no estádio. Também não chegará perto dos quase 75 mil torcedores que assistiram ao gol do ex-goleiro na decisão do Paulistão de 2000 contra o Santos, em dia de título estadual do São Paulo.

Rogério Ceni já teve grandes momentos no Morumbi, títulos e importantes feitos. Mas agora vai começar uma trajetória quase do zero, até porque é uma nova função e ele dependerá do sucesso de seus jogadores. O passado não será apagado, mas o futuro começa a ser escrito diante do time de Campinas (SP). Os jogadores entendem que esse será um momento especial do treinador, mas o próprio comandante não quer deixar que sua estreia como técnico no estádio tire o foco dos atletas.

O capitão Maicon é quem dá o recado. “Em momento algum estamos com espírito de festa. Temos três pontos para disputar e três para ganhar. Esperamos um resultado positivo e vamos trabalhar para isso”, avisou.