Os nomes dos jogadores são os mesmos, mas a motivação e disposição, com certeza, são diferentes. As mudanças de espírito e de entusiasmo em cinco dias de trabalho do técnico Doriva são as principais armas da Ponte Preta para quebrar contra o Flamengo um jejum de sete jogos sem vitória no Campeonato Brasileiro. Os dois times se enfrentam neste domingo, às 16 horas, no estádio Moisés Lucarelli, em Campinas, pela 17.ª rodada.

A demissão de Guto Ferreira foi definida na última segunda-feira à noite e já na terça à tarde Doriva estava dando os primeiros treinos com seu quarto time profissional. Antes só passou por Ituano, Atlético Paranaense e Vasco. Aos 43 anos, é um técnico de sorte, afinal em pouco tempo já coleciona dois títulos estaduais: o Paulista, em 2014, pelo Ituano, e o Carioca, pelo Vasco, em 2015, derrubando um jejum de 12 anos.

“Não mudamos muita coisa. Aproveitei para conversar muito com os jogadores, ouvir suas sugestões e tentar, no curto tempo que tivemos, ajeitar tudo em campo”, explicou Doriva, que surpreendeu aos chutar as bolas várias vezes para “ensinar” alguns comandados. “Este é meu jeito de ensinar. Às vezes mostro como se faz”, explicou.

Mesmo sem fazer mistério para definir o time em sua estreia, Doriva não “abriu o jogo” de como pretende armar o time. Pelos treinamentos, deixou a impressão de que inicialmente vai “fechar a casinha”, se preocupando com a defesa, para depois usar a velocidade para surpreender o adversário nos contra-ataques.

“Hoje em dia todo mundo precisa participar do jogo ativamente. Todos marcam e todos atacam”, filosofou Doriva, que confirmou os retornos do lateral-esquerdo Gilson e do atacante Biro Biro, emprestado pelo Fluminense. Ambos estavam suspensos e não participaram da derrota para o Figueirense, em Florianópolis. O volante Juninho, que atuou improvisado, e Cesinha vão para o banco de reservas.

A principal novidade foi a escolha por Bady, pela primeira vez iniciando um jogo como titular. Ele entra na vaga de Felipe, que não agradou nos últimos jogos. Além disso, já trabalhou com Doriva nos tempos de Atlético Paranaense. “Ele (Bady) arma bem o jogo, é rápido e passa bem. Acho que poderemos chegar mais em bloco lá na frente”, justificou Doriva.

Fernando Bob foi poupado dos treinos nos últimos três dias, sentindo dores na panturrilha direita. Mas deve atuar. Se não suportar o ritmo será substituído por Elton, que treinou durante a semana no setor.

Com os ingressos ao custo de R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia), a expectativa de público é de apenas 10 mil torcedores. A maioria, porém, deve ser para o time da casa. Ela já vai para campo comemorando um longo tabu sobre o rival carioca: não perde há 10 anos. A última vez que o clube da Gávea superou a Ponte Preta foi em 3 de agosto de 2005. Na oportunidade, venceu por 1 a 0, no estádio Luso-Brasileiro, no Rio. Desde então, aconteceram mais sete jogos, com três vitórias paulistas e quatro empates.

O último confronto entre ambos aconteceu no Brasileirão de 2013, ano em que a Ponte Preta foi rebaixada. Na oportunidade, os dois times empataram por 1 a 1, em Campinas.