Os operários que trabalham na obra da Arena da Baixada encararam ontem uma jornada dupla. Depois de suar como bons trabalhadores, parte dos 1.400 funcionários “deram um tempo” nos portões no canteiro de obras e viraram cambistas por um dia.

Convites distribuídos aos trabalhadores foram vendidos sem pudor a atleticanos ansiosos e interessados que passavam pela Rua Brasílio Itiberê. Os valores variavam conforme a demanda. Na “abertura do mercado” os primeiros bilhetes chegaram a custar aos compradores R$ 180. Rapidamente a notícia correu feito um rastilho de pólvora pelas ruas e uma corrente virtual pela internet.

Dezenas de torcedores foram até a Arena à caça dos cambistas/operários. Os preços foram caindo conforme a lábia dos compradores. No final da tarde os ingressos eram oferecidos por preços mais compatíveis com a realidade financeira de um torcedor comum.

Um dos trabalhadores, que preferiu não revelar seu nome, disse que eles estão lá dentro o dia todo há muito tempo e que nada é novidade para eles. “Prefiro ficar com a família”, explicou. No mercado paralelo os ingressos eram facilmente encontrados no “fechamento do mercado” a cinquentão sem precisar chorar por desconto.