Artilheiro da Copa do Mundo com cinco gols e um dos centroavantes mais respeitados da atualidade, Harry Kane, 24, da Inglaterra, ouviu muitos “nãos” e teve muitas dúvidas em sua carreira até conseguir brilhar.

Em 2002, quando tinha apenas 8 anos, foi dispensado das categorias de base do Arsenal. Tentou uma vaga no Tottenham, mas também não conseguiu emplacar.

Dois anos depois, após rápida passagem pelo pequeno Ridgeway Rovers, se juntou ao Wattford e a partir daí as coisas começaram a melhorar.

Seis semanas atuando no clube foram o suficiente para desta vez sim chamar a atenção do Tottenham.

De 2004 a 2010, foi um dos destaques do clube londrino e na categoria sub-18 anotou 18 gols em 22 partidas. Também foi chamado para as seleções inglesas sub-17 e sub-19.

Era então a hora de fazer a transição para o profissional. E hora também de uma nova frustração na carreira.

Sem conseguir se destacar, foi emprestado primeiro para o Leyton Orient, da terceira divisão, no começo de 2011.

Um pouco mais adiante retornaria mais uma vez ao Tottenham até ser mandado para o Millwall, da segunda divisão.

Foi aí que demônios começaram a rondar sua cabeça.

“Quando o Tottenham me mandou por empréstimo, houve muitos momentos em que me questionei se alguma vez teria a chance de fazer um gol que fosse na Premier League [Campeonato Inglês]”, escreveu Kane em artigo ao site The Players’ Tribune.

Não só conseguiu como hoje já tem mais de cem gols em um dos principais campeonatos do planeta, todos eles pelo Tottenham, ao qual voltou na temporada 2013/2014 para se tornar um ídolo.

Isso depois de mais uma temporada de muitos problemas no Leicester City.

Nesse período de dúvidas, Kane se inspirou em uma pessoa que nada tem a ver com o futebol jogado com os pés, mas sim com aquele jogado com as mãos: o quarterback Tom Brady, do New England Patriots, um dos maiores atletas de todos os tempos da NFL (National Football League, a principal liga de futebol americano dos Estados Unidos) e dono de cinco títulos do Super Bowl (a final do campeonato).

Ele já era um fã do esporte e costumava jogar Madden (tradicional jogo de vídeo game da NFL) com seu irmão.

“Estava navegando pelo YouTube quando achei um documentário falando sobre a história de Tom Brady. Ele foi apenas a 199ª escolha do Draft [seleção de calouros, em 2000]. Todos duvidaram dele a vida toda e ele conseguiu brilhar. Naquele momento me veio uma luz e pensei: ‘Sabe o quê? Vou trabalhar e minha chance virá'”, escreveu Kane, que era tido como um atacante sem capacidade de marcar gols.

Kane é tão fã de Brady que o cita sempre durante as suas entrevistas. “Estou sempre vendo vídeos dele. Ele é um cara que sempre suporta muito bem a pressão e consegue entregar os resultados esperados”, afirmou ao jornal britânico The Independent em 2017.

A idolatria é tamanha que um dos cachorros de Kane leva o nome do quarterback, marido da brasileira Gisele Bündchen. O outro se chama Wilson, em referência a Russell Wilson, jogador do Seattle Seahawks, outra equipe de futebol americano.

O jogador que foi artilheiro da Premier League em 2015/2016 e 2016/2017 também é um fã de golfe.

Apesar de sempre ter atuado nas seleções de base da Inglaterra, em 2014 houve rumores de que Kane poderia trocar de nação e defender a Irlanda.

Isso porque seu pai é nascido na cidade irlandesa de Galway, o que lhe daria direito de jogar pela seleção. Mas ele optou pela Inglaterra.

Fez a sua estreia em 27 de março de 2015 e até hoje disputou 26 partidas e balançou a rede em 18 oportunidades.

Neste Mundial, Kane já quebrou uma marca que durava anos. A última vez que um jogador inglês havia anotado mais de dois gols em uma Copa do Mundo havia sido em 1990, na Itália.

Gary Lineker fez quatro, e David Platt, três, na campanha que deu o quarto lugar para a Inglaterra, o melhor desempenho da seleção desde o título de 1966.

Com mais um gol, Kane igualará o feito de Lineker no México, em 1986, quando balançou a rede seis vezes e foi o artilheiro da Copa.