A estrelada Bélgica, que nunca havia ganhado uma partida eliminatória em Copas do Mundo dentro do tempo regulamentar, conseguiu quebrar a escrita com uma virada no último lance da partida por 3 a 2 sobre o Japão.

Com a classificação, Brasil e Bélgica enfrentam-se agora em uma das quartas de final do Mundial da Rússia.

Após um primeiro tempo em que a organização japonesa conseguiu brecar as ações ofensivas da Bélgica, que teve mais a posse de bola, o jogo foi outro no segundo tempo.

Logo aos três minutos, bastou uma disparada do meio-campo japonês Haraguchi para mostrar que o esquema de três zagueiros da Bélgica não é perfeito.

O jogador do Fortuna Dusseldorf, que acaba de voltar à primeira divisão alemã, disparou pela ponta direita, onde não havia ninguém na cobertura.

Vertonghen, um dos três zagueiros, chegou atrasado e não conseguiu cortar o passe longo.

Depois do primeiro gol oriental, a frieza belga, outra característica do time europeu, estava misturada a incredulidade.

Por causa da marcação frouxa à frente dos três zagueiros, saiu mais um gol do Japão cinco minutos depois.

Após jogada de Kagawa, do Borussia Dortmund, a bola chegou limpa para Inui, que joga no pequeno Elbar, da Espanha. Com um chute bem colocado, de longe, ele ampliou para 2 a 0.

Apesar de ser um time com vários craques habilidosos e experientes, que procuram jogar com a bola no chão, os dois primeiros gols da Bélgica saíram de cabeça. Na base dos cruzamentos para dentro da área.

O início da reação, aos 24 do segundo tempo, veio com um gol de cabeça de Vertonghen, zagueiro que havia falhado no primeiro gol japonês. Fellani, que havia entrado no segundo tempo, foi o responsável pelo empate dos belgas cinco minutos depois.

A virada que trouxe alívio para os torcedores belgas ocorreu com um rápido contra-ataque, no último lance do jogo, quando a organização do Japão não existia mais.

Em menos de cinco toques, desde o goleiro Courtois, a bola chegou na área adversária. Lukaku fez um corta-luz para Chadli empurrar para o gol vazio. Os japoneses, que nunca passaram das oitavas de final em mundiais, desabaram.

A Bélgica havia passado da fase de grupo tanto em 1986 quanto em 2014.

Nas duas vezes, caiu para a Argentina. Nos anos 80, na semifinal, e há quatro anos, nas quartas.

A quarta posição de 1986, até hoje, é a melhor colocação da Bélgica em uma Copa.

Depois de uma primeira fase regular naquele mundial, com uma vitória, um empate e uma derrota, a então melhor geração belga de todos os tempos passou para as oitavas de final.

Fez um dos jogos mais emocionantes da história das Copas contra a antiga URSS. Venceu apenas na prorrogação, por 2 a 1, após um empate em 2 a 2 no tempo normal. O placar somado de 4 a 3 deu esperança ao pequeno país europeu. Aquela geração poderia sim chegar ao título.

Os belgas, liderados por Scifo, um meia-armador de grande habilidade, enfrentaram a Espanha nas quartas de final. Ganharam nos pênaltis e, na semifinal, cruzaram com a Argentina de Diego Armando Maradona. Com a derrota por 2 a 0 foram para a disputa do terceiro lugar, quando também perderam para a França.

Quase 30 anos depois, na Copa do Mundo do Brasil, outra geração estrelada da Bélgica, com vários dos jogadores que estão na Rússia, prometia empolgar.

Vieram as partidas eliminatórias. Nas oitavas, a vitória contra os Estados Unidos ocorreu apenas na prorrogação. Na quartas de final, a então seleção promessa ficou mais uma vez pelo caminho. Outra vez, derrota para a Argentina, mas por 1 a 0, gol do atacante Higuaín.

Agora, o pequeno país europeu terá outra tradicional seleção sul-americana pela frente.

BÉLGICA

Courtois; Alderweireld, Kompany, Vertonghen; Meunier, De Bruyne, Witsel, Carrasco (Chadli); Mertens (Fellaini), Lukaku, Hazard. T.: Roberto Martinez

JAPÃO

Kawashima; Sakai, Yoshida, Shoji, Nagamoto; Hasebe, Shibasaki (Yamaguchi), Haraguchi (Honda), Kagawa, Inui; Osako. T.: Akira Nishino

Local: Arena Rostov

Juiz: Malang Diedhiou (SEN)

Cartões amarelos: Shibasaki (Japão)

Gols: Haragushi (J), aos 2min do segundo tempo; Inui (J), aos 6min do segundo tempo; Vertonghen (B), aos 23min do segundo tempo; Fellaini (B), aos 28min do segundo tempo; Chadli (B), aos 48min do segundo tempo