Em 2014, muitos torcedores ficaram frustrados com o fato de que o Brasil só jogaria no templo maior do futebol no país, o Maracanã, caso chegasse à final. Não chegou.

A Rússia de 2018 vai na contramão. Na improvável hipótese de chegar à final da Copa do Mundo em solo pátrio, a seleção terá atuado quatro vezes no Estádio Lujniki -o Maracanã do país desde que ele se chamava União Soviética (e a arena, Lênin).

No caso brasileiro, a equipe de Luiz Felipe Scolari jogou a abertura em São Paulo, duas vezes em Fortaleza, duas vezes em Brasília e outras duas em Belo Horizonte -o palco do 7 a 1 para a Alemanha na semifinal.

Na Rússia, o estádio principal serviu à abertura e à final. Assim, a Rússia estreou com a goleada de 5 a 0 sobre a Arábia Saudita no Lujniki, e jogará neste domingo as oitavas de final contra a Espanha.

Se vencer e ultrapassar as quartas, volta pelo chaveamento à semifinal ao palco. E, hipoteticamente, à final.

O caminho já havia sido traçado para o segundo colocado do grupo A desde a elaboração da tabela da Copa, em julho de 2015. Como anfitriões, os russos sabiam que estariam nesta chave, mas não conheciam seus adversários para especular as chances.

O técnico russo, Stanislav Tchertchesov, diz que teve até aqui “um sucesso intermediário”. Lembrado de um jogo dos anos 1990 no qual ganhou do Real Madrid como jogador do Spartak, disse que “na Rússia, se diz que todo mundo pode ser Deus, se tentar. Podemos repetir”.

Do ponto de vista da superstição, o Lujniki dá sorte ao time. Tendo sido chamado de pior seleção russa da história pela imprensa local, após passar sete jogos sem vitória, antes da Copa, impressionou os 78.011 espectadores da abertura com a goleada.

Sozinha, a seleção russa fez mais gols nesta partida do que as outras seis seleções somadas nas outras três partidas que aconteceram no estádio na primeira fase: Alemanha 0 x 1 México, Portugal 1 x 0 Marrocos e França 0 x 0 Dinamarca. 

O desempenho disparou uma onda nacionalista sem precedentes na história recente russa, e foi amplificada após o triunfo por 3 a 1 sobre um decepcionante Egito do atacante Mohamed Salah.

Nem a derrota no terceiro jogo da primeira fase, por 3 a 0 contra o Uruguai, arrefeceu os gritos de “Rússia” que se ouvem em diversas cidades do país noite adentro.

As camisas vermelhas do time foram incorporadas ao cenário urbano em cidades como Moscou e Kaliningrado.

“[Atuar no Lujniki] é uma vantagem que temos por ter ficado no segundo lugar”, disse o zagueiro Serguei Ignashevich. Já o atacante Tcherishev, artilheiro do time com três gols, disse ficar animado com a casa cheia, mas “o que importa é ganhar”.

Se tivesse ficado na primeira posição do grupo, a Rússia jogaria as oitavas de final em Sochi. Depois, teria pelo caminho as cidades de Nijni Novgorod, São Petersburgo e só então, na final, voltaria ao Lujniki.

Os russos estão cientes que a Espanha, campeã mundial em 2010, é favorita para o duelo. “Talvez para os espanhóis este seja um jogo como qualquer outro que já tiveram. Mas, para nós, é o duelo da nossa vida “, afirmou o atacante Dziuba, autor de dois gols neste Mundial. “Temos de jogar 200% para ganhar”, disse Tcherishev.

No único duelo de mata-mata entre Espanha e Rússia, os espanhóis fizeram 3 a 0 na semifinal da Eurocopa de 2008, quando o time russo teve a melhor performance recente em campeonatos internacionais. 

Já os espanhóis ganharam o título, abrindo uma era de ouro para a equipe.