A cada quatro anos, de maneira previsível, as ruas de Beirute se recheiam de verde e amarelo. Durante a Copa, a bandeira da seleção brasileira é quase tão presente na cidade quanto a libanesa.

Esses símbolos estão nas fachadas das lojas, nos tapetes dos camelôs e principalmente nos vidros dos carros –que buzinam para celebrar cada gol, como aliás fizeram duas vezes no jogo desta segunda-feira (2), na vitória do Brasil sobre o México por 2 a 0, pela Copa do Mundo.

Nos bares que colocaram televisores do lado de fora, no bairro central de Hamra, as calçadas se abarrotaram não só com os clientes sentados nas mesas, mas também com os pedestres de pé. Eles seguraram a respiração por 90 minutos, levando a mão à cabeça quando a bola chegava perto do gol.

Após o segundo gol brasileiro contra o México, o narrador celebrou tanto que já não escondeu sua preferência: “Gol! Gol! Gol! Brasil não é a Argentina, não. Não é Portugal. Não é a Espanha nem é a Alemanha”, disse, elencando os times que já foram derrotados dentro da Copa.

A predileção aparentemente nacional pelo Brasil, apesar das tímidas bandeiras espanholas também em algumas partes da cidade, pode ter sua raiz nos laços históricos entre ambos os países.

A vultosa imigração libanesa no fim do século 19 e no início do 20 se concentrou especialmente no Brasil, onde hoje vive a maior diáspora desse povo. É a origem do presidente Michel Temer e do ex-governador Paulo Maluf  —e do quibe e esfiha.

Não existe um número concreto, mas o governo brasileiro estima entre 7 e 10 milhões de libaneses e descendentes no país. Essa ideia é contestada por especialistas, que creem haver alguns milhões a menos.

É o suficiente, porém: o Líbano tem apenas 6 milhões de habitantes, e é corrente nas ruas a expressão de que “há mais libaneses lá do que aqui!”.