SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Um dos atletas mais questionados atualmente na escalação titular de Tite é Willian. O atacante só ganhou um respiro na seleção brasileira porque Douglas Costa, que foi seu substituto e se destacou na partida contra a Costa Rica, se machucou. Curiosamente, em Samara, na partida das oitavas de final contra o México, o atleta do Chelsea precisará honrar seu apelido atuando na cidade que é um dos centros mais importantes da indústria aeroespacial mundial.

Chamado de “Foguetinho” pelos atletas e pela comissão técnica, o camisa 19 vê as críticas aumentarem após o fim da primeira fase da Copa do Mundo. Os números mostram que sua produção está abaixo do desejado. Ele é apenas o sexto que mais finalizou, atrás dos outros atacantes, mas também atrás dos defensores Casemiro, Thiago Silva e Marcelo.

Mesmo atuando na ponta direita e com responsabilidade de acompanhar os laterais adversários na marcação, Willian é apenas o 7º jogador em distância percorrida. Ele consegue ficar atrás de nomes como Miranda e Thiago Silva e só à frente de Paulinho, Fagner e Marcelo. Esses últimos três têm menos tempo de jogo.

Por fim, ele é também apenas o 8º que mais deu passes certos, com menos da metade dos acertos de Philippe Coutinho, que é o primeiro, e atrás até de Fagner, que ficou no banco por 90 minutos na primeira partida, contra a Suíça.

Ainda assim, Willian conta com a confiança da comissão técnica pelo que fez no caminho até a Copa. “Eles [Paulinho e Willian] têm condição de crescer como cresceu o Brasil no segundo tempo [contra Costa Rica]. O time vai se harmonizando e se consolidando. Tem essa trajetória toda. Olha a trajetória de Willian e Paulinho, como foram decisivos. Willian era o foguetinho até ontem [risos]. Ele vai no um contra um direto, finaliza”, argumentou Tite.

Em Samara, o “Foguetinho” vai atuar na cidade que tem marcos importantes na indústria aeroespacial, como o lançamento do foguete Molniya, que já está aposentado, e do Soyuz, que trabalha até hoje. Esse último, inclusive, é a nave espacial que funciona há mais tempo em toda a história e sem registro de acidentes desde 1971.

A cidade ainda abriga o Progress, que é um centro de projetos que emprega 25 mil pessoas, segundo o seu site oficial. O local produz foguetes, satélites e outras ferramentas aeroespaciais.

Além da importância aeroespacial, a cidade de Samara sempre teve importância na história e na geografia da Rússia. Fundada em 1586, ela ficou proibida de receber estrangeiros durante toda a Guerra Fria por ser fundamental para a indústria do país.

Com uma região metropolitana de mais de 3 milhões de pessoas, ela é a sexta maior cidade da Rússia e com empresas importantes no ramo de automóveis, ferroviário, gás, metal e até de alimentos. No início de sua história, desenvolveu-se rapidamente por ter o Rio Volga banhando parte de sua cidade e servindo para o fluxo de grãos.

O estádio de Samara leva o nome de Cosmos Arena, tem capacidade para pouco menos de 45 mil pessoas e custou impressionantes US$ 320 milhões, ou seja, mais de R$ 1 bilhão.