Acostumado a jogar pela seleção japonesa, o zagueiro-central Maya Yoshida, 29, pode ser um dos antídotos dos asiáticos contra o ofensivo time belga na partida entre as duas seleções válida pelas oitavas de final da Copa na terça (2), em Rostov, no sul da Rússia, a 1.000 km de Moscou.

São 85 jogos com a camisa da seleção japonesa. Foi capitão da equipe na Olimpíada de 2012, em Londres, quando a o time surpreendeu e ficou em quarto lugar. Também esteve na Copa do Mundo do Brasil e, desde as Eliminatórias para o Mundial da Rússia, não ficou nem uma partida sequer fora do time. Mas a liderança que ele tem dentro e fora do campo não é tudo.

Yoshida é zagueiro do Southampton. Por jogar no futebol inglês, está também habituado a enfrentar vários de seus adversários que enfrentará na terça. Quem passar neste confronto enfrentará nas quartas de final o vencedor de Brasil x México

O Japão tenta pela primeira vez na história passar para as quartas. O país esteve nas últimas cinco Copas seguidas. Em três ficou na fase de grupos. Passou no Mundial de 2002, que teve como sede o próprio Japão, ao lado da Coreia do Sul, e em 2010, na África do Sul, quando foi eliminado nos pênaltis, pelo Paraguai.

“Me fazem esta pergunta todos os dias [sobre a possível ida às quartas]”, afirmou o treinador japonês, Nishino Akira, neste domingo (1º). Com uma longa história no futebol do oriente, o ex-jogador virou técnico nos anos 1990. Dirigia a equipe japonesa que venceu o Brasil nos Jogos Olímpicos de 1996, em Atlanta, e acumulou títulos com o Gamba Osaka.

Diretor técnico da federação de futebol até abril, assumiu o cargo às vésperas da Copa, após a demissão do bósnio Vahid Halilhodzic do cargo.

“Claro que nós estamos preparados para os pênaltis, mas o mais importante é ter força mental e coletiva para vencer o jogo”, disse.

O discurso semelhante ao do zagueiro Yoshida. O central não fugiu da realidade. “Individualmente eles são 100% melhores do que nós, mas temos que nos fortalecer no coletivo se quisermos vencer”, afirmou o atleta, que, entre categorias de base e equipe profissional está há mais de dez anos no selecionado japonês.

Com 1,89 m de altura, Yoshida também poderá disputar bolas aéreas contra a alta equipe da Bélgica em condições de igualdade. Todos os atacantes da seleção europeia têm mais de 1,85 m.

“É o meu sonho passar para as quartas”, afirmou o jogador. Segundo ele, fazer isso seria um passo impressionante para a história do futebol japonês.

Segundo os jogadores e o próprio treinador japonês, a atmosfera interna do grupo nunca esteve tão boa para conseguirem uma surpresa. “Talvez, para eles [a Bélgica], a Copa esteja começando agora. Para nós, é a oportunidade de subir um estágio”.