Hamamatsu, Japão (AE) – Quando perguntados sobre a importância de participar de uma Copa do Mundo, os jogadores de futebol, principalmente os brasileiros, parecem ligar um `gravador’ interno o qual só repete as mesmas duas ou três frases. Uns falam da satisfação pessoal, outros do reconhecimento profissional e poucos da experiência cultural. Enfim, o discurso é padronizado e dispensa qualquer tipo de raciocínio. No entanto, o simples gesto do treinador de colocar o nome de um atleta na relação dos convocados para disputar um Mundial representa muito mais do que isso.

Nesse momento, por exemplo, quando a competição caminha para sua reta final, o mercado do futebol já está fervendo. O centro dos negócios, como tradicionalmente acontece, é a Europa, onde estão os clubes mais ricos do mundo. Mas a agitação se espalha por todos os cantos. Na América do Sul, autêntico celeiro de craques, Brasil e Argentina são os países mais visados.

A boa campanha dos Estados Unidos, que chegaram às quartas-de-final da Copa da Coréia do Sul e do Japão, serve para direcionar os olhares para esse novo mercado.

O mesmo acontece na Ásia. Além da boa campanha da Coréia do Sul, que também se classificou para as quartas-de-final, ao derrotar a poderosa Itália, o Japão, mesmo eliminado nas oitavas conseguiu comover seu povo. A TV local não pára de transmitir documentários de apologia ao time. Os jogadores japoneses se transformaram em verdadeiros heróis.

Como se não bastasse isso, a primeira participação da China em Mundiais foi suficiente para impulsionar o esporte naquele país. E, como em tudo relacionado a negócios, o mercado futebolístico chinês é encarado como uma potência futura.

Brasil

Enquanto os jogadores brasileiros, que estão entre os mais valorizados do mundo, se apegam ao discurso fácil e inócuo, nos bastidores a movimentação já é grande. O fato de vestir a camisa amarela abre portas para todos. Até mesmo aqueles que nem são notados na delegação, casos, por exemplo, do lateral-direito Belletti e do goleiro Rogério Ceni, devem encontrar vantagens em suas carreiras pelo fato de terem feito parte de uma seleção na disputa de um título mundial. “É difícil projetar o futuro. Mas é claro que esperamos conseqüências positivas dessa participação na Copa”, afirmou o volante Kléberson.

Parte de um time avaliado em, aproximadamente, US$ 300 milhões o lateral-esquerdo Roberto Carlos não aponta a questão financeira como o maior benefício após a competição. “O mais importante é aproveitar esse momento para ajudar o futebol brasileiro a sair da situação em que se encontra”, observou. Porém, não demorou para demonstrar que o dinheiro, como todos sabem, também é importante. “É importante lembrar que representamos nosso País. Por isso, precisamos ter uma boa imagem para que os clubes ganhem dinheiro e os jogadores brasileiros não fiquem mais com os salários atrasados.”

Brasil tem 6 no time ideal

Yokohama

(AE) – O Grupo de Estudo Técnico da Fifa anunciou ontem uma lista de 51 jogadores indicados a formar a seleção ideal da Copa do Mundo de 2002. Há seis brasileiros no grupo – o maior número, junto com a Inglaterra: o goleiro Marcos, os laterais Cafu e Roberto Carlos e os atacantes Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho. Os 11 atletas escolhidos serão anunciados apenas no dia 28.