Ainda sem ocupar um posto de destaque no futebol brasileiro, a região Nordeste está ganhando cada vez mais notoriedade. A Copa do Nordeste, depois de registrar sucesso em 2013 e de repetir a dose neste ano, além de reviver a rivalidade dos times da região, está dando aos clubes um novo fôlego financeiro para as disputas das principais competições nacionais do futebol nacional. Mais do que isso, com arquibancadas cheias e a geração de grandes receitas, a competição nordestina, que dá vaga ao campeão na Copa Sul-Americana, coloca à prova mais uma vez a eficácia dos campeonatos estaduais dentro do calendário no primeiro semestre no Brasil.

Além de dar aos clubes aproximadamente R$ 20 milhões entre premiações e receitas de bilheteria – 32% a mais que 2013 -, a Copa do Nordeste foi mais uma vez um sucesso de público. Contando com 16 clubes de sete estados da região, a competição, chamada também de Nordestão, teve média de público de 7.897 torcedores por partida. Mais do que isso, o torneio mostrou também que é mais atrativo e levou mais público aos estádios do que nos principais campeonatos estaduais do Brasil.

O presidente da Copa do Nordeste, que também é presidente do Conselho Fiscal do Vitória, Alexi Portela, ressaltou que a competição regional traz grandes benefícios aos clubes participantes. “Quem disputa uma Copa do Nordeste pode ter uma cota maior do que na Série B do Brasileiro. O Sport, que foi campeão da edição de 2014, teve uma arrecadação de quase R$ 4 milhões, sem contar com os ganhos de bilheterias. São recursos importantes para os clubes e a chance de reviver a rivalidade dos clubes do Nordeste, sempre com estádios cheios”, frisou Portela.

Para dar o aval à Copa do Nordeste, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) exigiu que o acesso à competição regional fosse feito pelos campeonatos estaduais. Com isso, o Nordestão é hoje um torneio onde os clubes são os donos e a entidade máxima do futebol brasileiro fica apenas com a gestão técnica do certame. “Eles fizeram essa exigência para que tivessem direito a disputar a competição os melhores clubes dos estaduais. É uma forma também de valorizar a disputa dos campeonatos estaduais, que estão deficitários de um modo geral”, emendou.

No Campeonato Paranaense, por exemplo, a média de público foi de 3.229 e, especificamente neste ano, Londrina e Maringá derrubaram a dupla Atletiba e decidiram a competição regional. Assim, em pouco mais de três meses de competição, os três principais clubes do Estado conseguiram lucrar aproximadamente R$ 1 milhão cada na disputa do Estadual e, pela falta de atratividade ao torcedor, em diversos jogos o custo do jogo foi maior que a receita obtida com bilheteria. O Estadual que mais chegou perto da média do Nordestão foi o Paulista, que teve média de 5.675 torcedores por partida.

No Rio de Janeiro, a média foi de 2.828. Já no Gauchão, com 2.379 torcedores presentes por jogo, foi registrada a pior média dentre os principais estaduais do Brasil. Em Santa Catarina, foi registrada a média de 3.503 pagantes por partida e, por fim, em Minas Gerais, 4.257 espectadores compareceram aos estádios por jogo.

Reflexo nas Séries A e B

Não por acaso, times que se destacaram na Copa do Nordeste estão desempenhando, até agora, um bom papel nas Séries A e B do Campeonato Brasileiro. O Ceará, vice-campeão do Nordestão e que colocou mais de 60 mil torcedores na decisão da competição regional contra o Sport, na Arena Castelão e arrecadou somente com bilheteria na finalíssima R$ 1,4 milhão, é o atual líder da Segunda Divisão e candidato ao acesso para a elite do futebol nacional. Já na Série A, o Sport, mesmo ocupando a 12ª colocação na classificação, está longe da zona de rebaixamento e é o melhor clube nordestino na Primeira Divisão.

“Esses recursos da Copa do Nordeste dão aos clubes condições reais de montar bons times para as disputas do Campeonato Brasileiro. Não é à toa que vemos os times do Nordeste realizando boas campanhas, como o Ceará que está na liderança da, Série B e outros times da região também em boas colocações nas competições regionais. Também com apelo popular, a competição está cada vez mais valorizada”, finalizou Portela.