Gwangju (AE) – Sede da primeira Copa do Mundo do século, a Ásia luta para fazer história no futebol. A Coréia do Sul, entusiasmada com a inesperada vitória sobre a Itália, está perto de alcançar uma inédita semifinal de Mundial. Se conseguir nova façanha na madrugada de amanhã, diante da Espanha, estará pelo menos entre as quatro melhores da competição.

A campanha é fantástica e fora de qualquer prognóstico para uma seleção que jamais havia conseguido uma vitória em Mundiais. Nas cinco participações anteriores, nunca passara da primeira fase, em 54, 86, 90, 94 e 98. O fator torcida foi decisivo e pode novamente fazer a diferença em Gwangju, palco do confronto com os europeus. O bom desempenho é uma glória para o continente, que foi bem representado também pelo Japão, que caiu nas oitavas-de-final.

A partida está sendo encarada com tanta importância pelo país, que o governo sul-coreano anunciou, na manhã de ontem, que vai decretar dia de “festa nacional” caso o time derrote a Espanha.

O país está vestido de vermelho e os jogadores, otimistas, não querem decepcionar seus milhões de torcedores. Por isso, o técnico Guus Hiddink, nascido na Holanda, garantiu que vai mandar seus pupilos para o ataque. Não quer ouvir falar em medo, apesar da força do adversário.

“Vamos buscar o gol desde o início, é nossa característica.” Entre os espanhóis, contudo, o clima não é muito diferente. A ‘Fúria’ carrega o incômodo rótulo de ter bons jogadores, mas de sempre fracassar na hora da decisão.

Na França, em 98, tinha um time de altíssimo nível, mas acabou eliminada ainda na primeira fase por Paraguai e Nigéria. Depois do sofrimento para passar pelos irlandeses, nas oitavas-de-final a Espanha ganhou ânimo. Centenas de torcedores, que não estavam programando acompanhar a seleção de perto, chegaram ontem a Gwangju.

A Real Federação Espanhola avisou que fretará um avião rumo à Coréia com capacidade para 260 pessoas para a semifinal, se a equipe derrubar os anfitriões. Na história das Copas, os espanhóis nunca alcançaram uma final. A melhor colocação foi em 1950, no Brasil, quando terminaram em 4º lugar.

“Uma chance como essa não vem facilmente, não podemos desperdiçá-la”, declarou o meia Luis Henrique, que participa de seu terceiro Mundial. “Mas não podemos subestimá-los, a Coréia vem surpreendendo.” O técnico José Antonio Camacho revelou estar preocupado com a arbitragem. Teme que seja influenciada pela pressão da torcida.