São Paulo – Se Corinthians e São Paulo decidissem recorrer ao esquecido slogan “Satisfação garantida ou seu dinheiro de volta”, para apostar na excelência do clássico de ontem à tarde, certamente haveria filas de descontentes a exigir reembolso nos guichês do Morumbi. Os dois tradicionais rivais maltrataram a bola, cometeram 52 faltas, abusaram do jogo defensivo e não mereceram sair do empate de 0 a 0. O resultado foi desastroso, também, para a pretensão de ambos na briga pelo título, já que vêem o líder Santos se distanciar cada vez mais.

O primeiro tempo foi um show de horrores, em que o cuidado com a marcação se transformou em obsessão coletiva – e em faltas. Na tática de matar as jogadas, o São Paulo havia cometido 11 faltas com 16 minutos apenas de bola rolando. No minuto seguinte, Grafite teve a proeza de cometer mais duas, em seguida, até que o árbitro Sálvio Spíndola lembrou que tinha cartões no bolso e mostrou o amarelo para o centroavante.

Tanto São Paulo como Corinthians não abriram mão da disputa dura e colocaram a defesa acima de tudo. Leão e Tite optaram pelo sistema de três zagueiros e meio-campo com cinco jogadores. Os atacantes ficavam isolados e se deslocavam como baratas tontas em busca da bola que não chegava.

Os dois times adoçaram a boca dos 31.225 pagantes no começo da etapa final. Em pouco mais de um minuto, são-paulinos e corintianos tiveram pelo menos uma boa arrancada para o ataque. O jogo ficou mais veloz e aos 6 Danilo entrou livre na área, mas Felipe Alvim salvou, ao travar o chute.

Mas o nível voltou a cair. As faltas se sucediam e o juiz desandou a distribuir cartões amarelos – no total foram sete.

Ficha técnica
Corinthians:
Fábio Costa; Anderson, Marcelo Oliveira e Felipe Alvim; Wendel, Fabinho, Edson, Fábio Baiano e Renato (Coelho); Gil e Jô (Alberto). Técnico: Tite.
São Paulo: Rogério Ceni; Fabão, Lugano e Rodrigo; Cicinho (Gabriel), Alê, Danilo (Souza), César Sampaio e Júnior; Grafite e Tardelli (Jean). Técnico: Emerson Leão. Renda: R$ 195.315. Público: 31.225 pagantes.