Goiânia – O funk de Carlos Alberto com a cumbia de Tevez, mais o pagode e o gospel dos demais companheiros nunca se misturaram e não tinha nada para dar certo. Hoje, o grupo do Corinthians joga por música, tem grande entrosamento e quer brindar e retribuir o carinho da torcida com a conquista do tetracampeonato brasileiro.

Para isso, o time do maestro Antônio Lopes necessita, apenas, de um empate com o Goiás, às 16h, no Serra Dourada.

Para não desafinar no duelo mais importante do ano, o esquema já está armado. Será uma postura defensiva sem a bola e velocidade nos contragolpes. "Possuimos uma vantagem e temos de saber administrá-la. Não vamos sair para cima do Goiás que nem loucos, mas também não ficaremos apenas nos defendendo", divulga o volante Marcelo Mattos, que atuará como zagueiro de sobra, sobre o esquema definido por Antônio Lopes, perito em armar sistemas defensivos.

"Este é jogo de irmos à exaustão, dar tudo que podemos em campo", profetiza Lopes, descartando show em campo. "No futebol, o importante é ganhar, não dar espetáculo. Do que adiantou a fabulosa seleção de 1982 dar show e cair nas quartas-de-final da Copa?", indagou. "Temos de jogar com o regulamento debaixo do braço", pondera o atacante Nilmar, disposto a atuar até na defesa.

Com três pontos de vantagem sobre o Internacional e 5 gols de saldo a mais, os corintianos podem sagrar-se campeões até com derrota, palavra proibida no Parque São Jorge.

Todos acreditam, no mínimo, em um empate para, enfim, cantarem juntos a conquista do título. O hino do clube, garantem, está bem ensaiado.

Trio de defensores corintianos quer parar o Goiás

Goiânia – Trombar com o atacante rival ou o atrapalhar na hora de subir nas bolas cruzadas para a área. Esta é a missão de Wendel, Marinho e Marcelo Mattos, o trio de defensores do Corinthians que joga, na 42.ª rodada do Campeonato Brasileiro, junto pela terceira vez apenas. A maior preocupação do técnico Antônio Lopes esta tarde no Serra Dourada é o jogo aéreo do Goiás. Por isso, o trio promete repetir a grande atuação nos 7 a 1 sobre o Santos, no Pacaembu, ocasião na qual Fábio Costa foi exigido apenas duas vezes.

Pela primeira vez na competição, a conquista do tetracampeonato está sob responsabilidade dos coadjuvantes do elenco. Bem longe de ganhar como as estrelas e ter o mesmo glamour nas entrevistas os "operários da bola", apelido carinhoso dado pela torcida, podem decidir. Basta não deixar o time sofreu gol para, enfim, levantarem a taça. "Confio muito na nossa defesa, ela evoluiu bastante", enfatiza o goleiro Fábio Costa, único do elenco que pode ser bicampeão. Em 2002, participou da bela campanha do Santos e na decisão, justamente diante do Corinthians, fez uma partida memorável.

O voto de confiança, claro, vem com ressalvas. "A bola parada do Goiás é uma arma forte que eles têm e voltamos a sofrer gols nesta jogada. É necessário atenção."

Tal atenção foi detectada e muito bem treinada na sexta-feira. Lopes dedicou toda a 1h30 de trabalho para corrigir posicionamento de seus marcadores e até dos atacantes, no intuito de armar um contra-ataqaue fatal. E, espera ele, decisivo para o título, já que não acredita em placar elástico.

"A gente vai resolver tudo", discursa o volante Marcelo Mattos, escalado na sobra dos zagueiros. "Se não tivéssemos condições de defender o Corinthians não estaríamos no clube", pondera Wendel.

Uma verdade é que, com Antônio Lopes sob seu comando, a média de gols sofridos do time é abaixo de um gol por jogo. E como o ataque sempre marca…

Geninho avisa: "O Corinthians que se cuide no Serra Dourada"

Goiânia – O técnico Geninho, do Goiás, sabe bem o quanto pesa a pressão da torcida corintiana em uma decisão de campeonato, mas não acha que ela terá influência no confronto de hoje. "Fui campeão estadual pelo Corinthians em 2003, mas numa situação completamente diferente. Tínhamos de brigar pelos resultados, não era ponto corrido", relembra.

Na opinião do treinador, a equipe de Antônio Lopes vem a Goiânia praticamente campeã. "Aqui, eles não serão tão pressionados pelos torcedores, jogarão com calma, acredito, porque sabem que só uma tragédia tira o título deles."

Acha que caberá à sua equipe a missão de partir para o jogo, buscar o ataque no Serra Dourada. "Eles não vão fazer retranca, não acredito nisso. Porém, não terão porque buscar resultado. Se tem alguém que terá obrigação de fazer uma boa partida será o Goiás, que joga ao lado de sua torcida", disse. Tem, na última rodada, um único objetivo, afirma: "Temos de coroar nossa participação no Brasileiro e comemorar a classificação na Libertadores. O Corinthians que se cuide", provocou.

Depois de passar a semana respondendo perguntas sobre a suposta mala-branca dada pelo Internacional aos jogadores do time goiano especula-se que a cada gol marcado, o jogador que o fizer receberá R$ 10 mil -, Geninho evitou o assunto na véspera da decisão.

Para o confronto de hoje, aposta no apoio de Paulo Baier e do meio Rodrigo Tabata no ataque. "Eles vão tentar segurar o (atacante) Roni e acho que ele vai ser um pouco prejudicado por isso. Por isso temos de ter ajuda lá de trás", explicou.

Descartou marcação especial sobre qualquer atleta corintiano. "Jogamos com três zagueiros, um cai no Tevez e outro no Nilmar e ainda ficamos com um homem na sobra. Isso deu certo em todo o campeonato e não temos porque mudar."

Quando ajudou o Corinthians a conquistar seu último título, o Paulista de 2003, lembra que jogar ao lado dos torcedores era bem mais fácil quando a situação era boa e essencial nos momentos em que os atletas precisavam de incentivo para buscar os resultados.

"Não sei o que vai acontecer, mas só tenho certeza de uma coisa: será um bom jogo, com duas equipes qualificadas e que mereceram estar entre as primeiras na tabela de classificação", profetizou Geninho.

Goiás se diz pronto para vencer

Goiânia – Mesmo desfalcado de dois dos principais jogadores da linha de defesa, o técnico Geninho acredita que suas variações em 3-5-2 serão suficientes para barrar a garra e a determinação dos corintianos no jogo de hoje, no Serra Dourada. As novidades da equipe são as entradas do volante Cléber, em lugar do zagueiro André Dias, e do zagueiro Rafael Dias, que substituirá Júlio Santos.

Mesmo com as duas alterações definidas, o técnico Geninho não revelou quem começará jogando: "É sempre assim, queremos conhecer todos os detalhes para só depois confirmar", disse.

Geninho tem dúvidas, por exemplo, no aproveitamento de André Leone, que no final do treino de sexta sentiu uma fisgada na perna e passou a ter a escalação incerta. "Não parece nada grave", disse o jogador, que depende do resultado de uma ressonância magnética, que pode diagnosticar ou não uma contratura, e de tratamento intensivo para ter condições de jogo. O treinador quer ter certeza absoluta para manter a definição da zaga, já desfalcada por suspensão de dois jogadores.

O técnico do Goiás também afirmou que vai manter o ataque com Roni e Souza e garantiu a volta de Rodrigo Tabata ao meio-campo, em lugar de Romerito, para atacar e se defender da garra e da determinação corintiana. "É natural que queiramos nos impor jogando em casa", alertou Geninho.

As histórias de "mala-branca", indicando que os jogadores do Goiás estariam sendo incentivados com dinheiro do Internacional para a bater o Corinthians, não afetaram o clima na equipe que, desde o ano de 2000, ou há nove jogos, não vence o Corinthians.

A luta corintiana pelo tetracampeonato também deverá esbarrar na disposição dos jogadores de vencer o jogo. "Queremos é vencer em casa, diante de nossa torcida, e fechar o ano com chave de ouro", disse o goleiro Harlei, de 33 anos.

Roman torce para ser esquecido

São Paulo – "Que nem lembrem do árbitro." É dessa forma que Evandro Rogério Roman explica o que mais deseja, no jogo entre Goiás x Corinthians, no Serra Dourada. Comedido e discreto, Roman encara com naturalidade a indicação para comandar o duelo que pode decidir o Brasileiro. "É uma grande responsabilidade, mas só é dada para quem tem competência", afirma. "Estarei tranqüilo, alheio a qualquer outra situação, que não a de fazer o meu trabalho."

Adepto da escola tradicional da arbitragem, abomina os gestos espalhafatosos. "Não é preciso fazer jogo de cena para exercer a autoridade", diz.

Filiado à Federação Paranaense, Roman admite que a imagem da categoria ficou arranhada depois do caso Edilson Pereira de Carvalho. "O árbitro é o mordomo dos filmes de terror: é o primeiro de quem todos desconfiam", compara. "Imagine depois desse problema."

Porém, ao contrário da classe, considera que está num bom momento. Dirigiu jogos importantes Corinthians 7 x 1 Santos e Internacional 2 x 1 Palmeiras, para citar os mais marcantes e acredita ter feito bom trabalho. "Passei por provas de fogo, mas a mais importante da minha vida é Goiás x Corinthians."

Tão procurado pela mídia quanto os jogadores "em 24 horas, dei 30 entrevistas", diz , Roman ri dos comentários de que poderia favorecer o Internacional, por ser gaúcho. Nasceu em Herval Grande (RS), mas mudou-se para o Paraná quando tinha quatro anos. "O Nilmar, do Corinthians, começou no Inter e não o vi tentar fazer gol contra, quanto enfrentou o ex-time", compara.

Aos 32 anos, doutor em Educação Física e coordenador de curso numa Faculdade de Cascavel, Evandro Rogério Roman é casado há cinco anos com Janesca e tem um filho, Pablo, de 12. A estabilidade na vida particular lhe permite não fazer planos. "Não fui aprovado para o quadro da Fifa este ano. Quero chegar lá, mas não projeto nada: só quero continuar fazendo meu trabalho."