A calma com que a diretoria corintiana diz trabalhar o acerto dos novos patrocinadores vai ter que virar pressa. O orçamento do futebol precisa dos adiantamentos que os novos parceiros farão para o pagamento das parcelas e luvas dos jogadores recém-contratados.

O caso mais urgente é o do argentino Sérgio Escudero. Até o dia 20 de janeiro é preciso depositar US$ 500 mil (R$ 1,1 milhão) da primeira parcela de um total de US$ 1,3 milhão (R$ 2,9 milhões). Se não pagar, a transação corre até o risco de não sair – algo que não passa pela cabeça dos dirigentes.

“Não tem essa possibilidade. O Escudero já é jogador do Corinthians”, disse o vice-presidente de futebol, Mário Gobbi. Mano Menezes queria o argentino, que atuava no Argentinos Juniors, trabalhando já na pré-temporada de Itu, algo improvável neste momento. Os argentinos não liberam o atleta enquanto não cair o pagamento.

Se até o dia 20 não houver dinheiro em caixa dos patrocinadores, o Corinthians vai ter que se apertar e tirar valores de uma reserva que o clube mantém. Segundo o diretor financeiro Raul Corrêa e Silva, houve um lucro de R$ 13 milhões na temporada passada, apesar de a dívida do clube continuar na casa dos R$ 90 milhões.

Mas não é só com relação a Escudero que a diretoria se endividou. A contratação de Souza também será paga em parcelas, 15 de 100 mil euros casa (no total, R$ 320 mil cada parcela). Só que desta vez o departamento de futebol teve precaução e acertou a primeira parcela somente para março, quando é praticamente certo que valores de patrocinadores estejam nas contas do clube.

Jogadores que chegaram com o status de “gratuitos”, casos do volante Túlio e do atacante Jorge Henrique, também têm custos, apesar de terem rescindido com o antigo clube, o Botafogo. “Sempre tem luvas. Clube que fala que todo jogador chega a custo zero está de brincadeira”, disse o presidente Andrés Sanchez, em provocação ao rival São Paulo, que se gaba de não pagar nada pelos reforços.

Túlio vai receber R$ 100 mil mensais, mas embolsará pelo menos cinco vezes mais essa quantia de luvas. Os valores são parcelados, mas a diretoria conta com a grana dos patrocinadores para arcar.

O principal problema para o acerto com os patrocinadores não é em relação a valores, mas sim ao tempo de contrato. Algumas empresas chegaram aos R$ 20 milhões sonhados, mas querem contratos de dois anos. No primeiro ano pagariam menos, chegando aos R$ 20 milhões em 2010. O marketing acha que não pode se comprometer para o ano do centenário do clube, no qual a marca estará mais valorizada.

O Corinthians conta também no orçamento com R$ 38 milhões de cotas de TV, referentes ao Paulistão e ao Campeonato Brasileiro. Parte dessa quantia pode até ser antecipada, o que seria a salvação do caixa corintiano.