Diego não vai ter vida fácil na decisão do campeonato brasileiro, domingo, no Morumbi. Os jogadores do Corinthians estão furiosos com o comportamento do meia, que teria menosprezado os adversários domingo passado. O reencontro nos bastidores dos programas de tevê depois do jogo só não foi mais tenso porque Diego não compareceu a nenhum deles.

Na Record, Deivid e Renato revelaram que Diego costuma fazer brincadeiras racistas com os adversários. “Naqueles 4 a 2 da fase de classificação, o Diego deu um drible no Kléber e saiu chamando ele de macaco”, denunciou Deivid. “Por sorte o Kléber é um cara tranqüilo, não gosta de confusão. Mas se fosse outro mais nervoso ele teria dado um soco na cara do Diego”.

Ontem, falando à Rádio Jovem Pan, Renato ratificou as acusações de Deivid, segundo as quais Diego costuma ofender alguns adversários, chamando-os de macaco e preto. “Não tenho mágoa nem rancor, mas não gostei de ele ter discriminado a nossa raça negra. Quando eu tinha a idade dele também agia assim e pegaram forte o meu joelho em 1998. Fiquei vários meses parado por causa disso. Por isso, seria bom que ele (Diego) começasse a respeitar um pouco mais os adversários”.

No último domingo, Renato chegou a perder a cabeça. Ainda no primeiro tempo, acertou o tornozelo do santista em uma entrada violenta, por trás, e recebeu o cartão amarelo. Nesta segunda-feira, ele reconheceu que perdeu a cabeça por causa das provocações. “Fui um pouco desleal naquela entrada. Cheguei duro demais. Mas não fui o único que agiu dessa forma”.

Antecedentes

Fora dos microfones, Renato ainda enumerou as polêmicas criadas por Diego com Fábio Simplício (depois de comemorar um gol pisando no distintivo do São Paulo), ainda na primeira fase, e a briga com o Danrlei (que terminou em Robinho) no primeiro jogo contra o Grêmio pelas semifinais. “Como se vê, não estamos reclamando só porque perdemos o primeiro jogo. Até porque não tem nada decidido. O Corinthians tem condições de vencer o Santos e vai dar essa resposta em campo”.

Citado como maior vítima da discriminação de Diego, o lateral Kléber, ouvido nesta segunda-feira por telefone pela Agência Estado, não quis se manifestar. “Não quero me envolver nessa história”, revelou. O lateral não quis sequer confirmar se houve ou não o ato de racismo. “Me desculpe, mas não vou entrar nessa de jeito nenhum”.

Além de Deivid e Renato, Fábio Luciano ficou muito irritado com a postura do meia santista no jogo passado. No exame antidoping, aproveitou a presença do médico do Santos na sala onde se faz a coleta de material para dizer que Diego vai levar o troco no domingo. “Agindo dessa forma ele pode provocar uma grande confusão a qualquer momento”, alertou o capitão corintiano.

São Paulo ? AE

Diego nega ofensa e se impõe em campo

O meia Diego, do Santos, negou ontem que tivesse algum desentendimento com Renato durante o clássico de domingo ou que tenha chamado um adversário de macaco. “Jamais faria isso, pois nem com meus companheiros brinco assim”, disse. Se tivesse ocorrido alguma discussão, o santista revelou que teria falado outra coisa para ele.

Mas, segundo Diego, Renato não o xingou nem provocou durante o clássico. “Em momento algum ele me xingou, não escutei a voz dele dentro de campo, pois ele não fala nem com os companheiros, quanto mais com um adversário”. Já em relação a Kléber, o santista comentou que os dois conversaram durante o jogo e que o corintiano até riu. “Nós estávamos brincando e não há mágoas ou rancor para guardar em nenhum dos lados”.

Desde que começou a aparecer no futebol profissional, com jogadas individuais, dribles e gols, Diego tem recebido muita pressão por parte dos adversários, que tentam intimidá-lo com ameaças. “É preciso fazer com que as pessoas te respeitem e em todas as profissões é assim”, disse ele. “Por isso, se alguém me xingar, vou também xingá-lo dentro de campo, pois fora de campo é outra coisa”. O que Diego não quer é se perturbar com esse tipo de conversa.

Afinal, é o jogador mais jovem na disputa pelo título do Brasileiro e quer concentrar suas atenções apenas no jogo de domingo. “Vencemos uma etapa, mas a próxima será mais difícil ainda”, disse ele, informando que “é preciso manter os pés no chão, ter humildade, porque nada está ganho ainda”.

Diego confessa que o jogo de domingo foi diferente de todos os outros que disputou. “Eu só via as finais na televisão e desta vez eu estava em campo, era uma das peças principais do espetáculo e me desdobrei para mostrar meu futebol e ajudar o Santos”.

Logo que a partida começou, ele percebeu que a bola estava chegando a ele com facilidade, que dava para criar as jogadas com liberdade. “A cada minuto que passava, ia me soltando cada vez mais e, como o Morumbi é um campo grande, fica difícil fazer uma marcação individual e deu para criar os espaços”.

Com 17 anos, Diego chegou ao futebol profissional logo no início do Rio-São Paulo, no primeiro semestre. Em pouco tempo conquistou a condição de titular do Santos e é uma das revelações do futebol brasileiro nesta temporada. Não esconde que “a vontade de gritar ‘é campeão’ é muito grande”, mas sabe que conquistar o título não será fácil, especialmente porque o adversário é o Corinthians. “Vamos para a segunda batalha, que será mais difícil, e é preciso tomar todo o cuidado”.

Santos ? AE

Suspenso, Alberto vira um “geraldino”

Suspenso pelo terceiro cartão amarelo, o atacante Alberto seguiu ontem com o grupo de jogadores do Santos para Jarinu, no interior de São Paulo. No domingo, quando o time enfrenta o Corinthians na final do Brasileiro, ele irá virar torcedor. “Vou pegar minha bandeira e ir para o Morumbi torcer pelos meus companheiros, sabendo que ajudei o time a chegar lá durante todo o campeonato”, revelou.

Com 27 anos, Alberto já começa a pensar em seu futuro, pois seu contrato com o clube vence no final do ano. “O ideal é que o Santos arrumasse bastante dinheiro e renovasse comigo e eu ficasse feliz aqui”, admitiu. Mas há comentários na Vila Belmiro de que ele pode ir jogar na Rússia ou na Turquia. “Sei das dificuldades no Brasil e no mundo para segurar os atletas e não sei as possibilidades, que estão nas mãos da diretoria”.

Além da boa campanha neste Brasileiro, que o colocou na artilharia do time, Alberto vê com bons olhos sua permanência na Vila por mais uma temporada. “O Santos vai participar de diversos campeonatos importantes, que projetam e minha esperança é de renovar”, disse o atacante.

Santos ? AE

Timão busca paz e auto-estima em MG

Além de trabalhar para que o Corinthians retome a proposta de jogo coletivo que faltou na primeira partida decisiva do Brasileirão contra o Santos, o treinador Carlos Alberto Parreira terá outra função espinhosa nos dias que vão anteceder o clássico decisivo de domingo: recuperar a auto-estima de seus jogadores, abalada após a derrota para o Santos por 2 a 0. Para isso, espera aproveitar a paz e o sossego da cidade mineira de Extrema. Alguns atletas dão mostras de que os efeitos do resultado negativo não serão esquecidos rapidamente.

“O Santos saiu de campo comemorando como se o título estivesse ganho. Mas as coisas não são bem assim. Ainda temos 90 minutos e muita coisa pode acontecer. O Corinthians não joga tão mal duas partidas seguidas”, afirmou o zagueiro Fábio Luciano.

Seu companheiro de zaga foi mais direto. Embora não questionasse o resultado, Scheidt argumentou que o Santos se aproveitou dos erros cometidos pelo Corinthians para construir a vitória. “Domingo faltou tudo ao nosso time. Erramos passes em demasia. Se evitarmos isso domingo que vem, o adversário não terá tanta facilidade para jogar.”

São Paulo ? AE