Foto: Walter Alves
Pedro Ken disputa com Sopa pelo alto, em partida que o Coritiba não teve nenhuma inspiração para tentar impor seu jogo.

Os velhos fantasmas do ano passado estão mais do que ?vivos? no Alto da Glória. Tal qual um pesadelo, o Coritiba voltou a jogar como nos piores momentos de 2006, sucumbiu diante do São Caetano por 1 a 0 e viu sua torcida explodir em fúria contra técnico e presidente.

Enquanto o time capengava em campo, as arquibancadas pediam a saída de Guilherme Macuglia e Giovani Gionédis. Pela enésima vez. E olha que quase 12 mil pessoas se dispuseram a passar frio no Couto Pereira para ver o Alviverde em campo. Com mais esse vexame, o Coxa perdeu também a chance de voltar ao G4 da Segundona.

Tal qual uma asa negra (ou azul), a maldição de enfrentar o time parece não ter fim, já que foi o próprio Azulão que mandou o Coritiba para a segunda divisão. Os temores eram claros desde antes do campeonato começar, quando diretoria e comissão técnica elegiam o adversário de ontem como o principal inimigo na luta por uma vaga na elite. Nem adiantou o São Caetano jogar com sete desfalques para o alviverde aproveitar a chance de vencer a segunda seguida e mostrar que a má fase estava passando. Ledo engano.

Diante de uma equipe disposta a jogar atrás e explorar os contra-ataques apenas para tentar levar um ponto para casa, o Coritiba foi incrivelmente impotente. E olha que o primeiro chute com perigo só saiu aos 26 minutos do primeiro tempo, com Pedro Ken. Antes, a torcida já pedia ?raça? porque Gláucio, Athos e Pedro Jr. perderam gols incríveis. Era a deixa para a máxima ?quem não faz, leva? entrar em ação. Que nada! Mais consistente em campo, o Azulão chegou ao gol após um passe precioso de Athos, que deixou Pedro Jr. livre para marcar.

Perdendo e jogando mal, não restou outra opção aos torcedores senão protestar. Sobrou, como era de se esperar, para o técnico, que preferiu insistir com Ânderson Gomes, que pouco fez no primeiro tempo, ao invés de Gustavo, que lutou mais e mandou uma bola na trave. Enquanto isso, no seu camarote, o mandatário coxa ouviu o que já está mais do que acostumado a ouvir sempre que o time vai mal: ?fora Gionédis?. Na saída de gramado, poucos jogadores se salvaram das vaias como Edson Bastos, Felipe e Pedro Ken.

Prestigiado

De acordo com o coordenador de futebol João Carlos Vialle, o técnico Guilherme Macuglia continua seu trabalho à frente do Coritiba e vai dirigir a equipe contra o Remo, na sexta-feira. No entanto, se os maus resultados continuarem, essa situação poderá ser revista.

Macuglia segue no comando, pelo menos até o jogo contra o Remo

A torcida pediu a cabeça do técnico Guilherme Macuglia, mas a diretoria vai bancar a permanência do profissional no comando da equipe do Coritiba. Pelo menos até a partida de sexta-feira, contra o Remo. ?Se o coordenador fosse demitir o técnico a cada derrota, 50% dos treinadores seriam demitidos a cada término de rodada. Nós estamos tranqüilos, ele continua trabalhando e nós vamos fazer uma reunião com a diretoria, comissão técnica e jogadores para ver se podemos chegar a um diagnóstico do que está ocorrendo?, avisou João Carlos Vialle.

De acordo com ele, na análise do clube, o confronto contra o São Caetano seria um dos mais difíceis na competição. ?Pela qualidade, pelo o que nós sabíamos deles. E o Coritiba esteve num dia extremamente infeliz e não me lembro de uma jornada tão péssima quanto essa?, apontou o dirigente.

No entanto, ele alerta que treinador, em qualquer lugar, vive de resultado.

?O Macuglia perdeu hoje (ontem) e evidentemente se perder a segunda, a terceira, algumas atitudes poderão ser tomadas, mas no momento ele está tranqüilo e dirige o time contra o Remo?, garantiu.

Para Macuglia, a pressão para se trabalhar no Alto da Glória será grande, independente de quem esteja no comando da equipe. ?Qualquer treinador que chegar hoje no Coritiba vai sofrer esse tipo de pressão se não conseguir os resultados. Então, nós temos que buscar os resultados de qualquer maneira?, projetou. Segundo ele, com o retorno de alguns jogadores do departamento médico, o desempenho deve melhorar. ?Isso vai fortalecer mais a equipe porque nós tivemos dificuldades no jogo, enfrentando uma marcação forte e uma saída rápida?, justificou.

De acordo com Macuglia, mesmo com vários desfalques, o Azulão teve o mérito de ser envolvente no meio. ?Jogadores de alta qualidade técnica, como o Gláucio e o Athos, e uma marcação com o Sopa, o Glaydson e o próprio Luiz Alberto criaram dificuldades para os nossos meias jogarem?, explicou. O treinador alviverde ainda tentou fazer os ajustes, mas não surtiram o efeito desejado. Hoje, o elenco ganha folga e volta a trabalhar na segunda-feira.

A viagem para Belém está programada para quarta-feira.

Campeonato Brasileiro – Série B

4a. Rodada

CORITIBA 0 X 1 SÃO CAETANO

Coritiba

Edson Bastos; Ivo, Dezinho, Felipe e Fabinho; Rodrigo Mancha, Juninho (Douglas Silva), Diogo (Dinei) e Pedro Ken; Keirrison e Ânderson Gomes (Gustavo).

Técnico: Guilherme Macuglia.

São Caetano

Luiz; Peter, Kléber, Thiago (Neto Gaúcho) e Cláudio; Luiz Alberto, Glaydson, Ademir Sopa e Athos; Gláucio (Marcelinho) e Pedro Júnior (Galhardo).

Técnico: Jair Picerni.

Súmula

Local: Couto Pereira

Árbitro: João Fernando da Silva (SC)

Assistentes: Ângelo Rudimar Bechi e Fernando Lopes (SC)

Gol: Pedro Júnior (S) aos seis minutos do segundo tempo.

Cartões Amarelos: Athos, Thiago, Luiz Alberto e Cláudio (São Caetano); Keirrison, Diogo, Pedro Ken, Douglas Silva, Felipe e Gustavo (Coritiba)