O Galo cantou mais alto ontem à noite, no Mineirão, e venceu o Coritiba por 2 a 1, de virada. E foi como se o elenco alviverde fizesse parte de uma regravação do filme Feitiço do Tempo, no qual Bill Muray revive o mesmo dia diversas vezes. Mais uma vez, a derrota veio em jogadas de bola parada, que vêm sendo o verdadeiro tormento coxa-branca neste Brasileirão. Apesar da insistência do técnico Antônio Lopes nos treinamentos para evitar esse tipo de revés, o castigo acontece todas as vezes em que o Coritiba vacila. Ontem não foi diferente.

Quem acompanhou o jogo desde o início teve a nítida impressão de que o Coritiba iria arrasar o combalido Atlético Mineiro. Com uma formação audaciosa, na primeira subida ao ataque o Verdão balançou a rede. A bola rolava a menos de um minuto quando Luís Carlos Capixaba marcou um golaço. O que seria o prenúncio de um massacre serviu de despertador para o Atlético Mineiro. O Coritiba até teve um bom desempenho nos minutos iniciais, especialmente com a bola passando pelos pés do volante Reginaldo Vital. Entretanto, acabou sendo vítima dos próprios erros. Com muitos erros de passes, o que há algumas rodadas não vinha acontecendo, o time pagou caro.

Tanto é verdade que os dois gols do Atlético Mineiro foram originados por faltas cometidas por jogadores coxas, tentando recuperar bolas mal tocadas pelos companheiros. Nos dois lances, em um intervalo de cinco minutos, brilhou a estrela de Rodrigo Fabri, que finalmente desencantou. Aos 11 minutos, ele cobrou falta com perfeição e acertou em cheio o gol de Fernando. Pouco depois, o mesmo Rodrigo foi derrubado na área e conferiu a cobrança de penalidade.

Um verdadeiro

carrasco do Verdão.

A virada caiu como uma bomba na cabeça dos jogadores alviverdes, que pareciam perdidos em campo. Os meio-campistas erravam muito, os laterais Ricardinho e Jucemar não apoiavam e havia um vazio entre meio e ataque. Em contrapartida, os mineiros surpreendiam, aproveitando-se das falhas alviverdes para manter o score, que afastaria temporiamente a crise do Galo.

Para a segunda etapa, o técnico Antônio Lopes tentou ser audacioso. Começou trocando Ricardinho por Adriano, mais dado às jogadas de velocidade e com 15 minutos da etapa final, sacou Vital e escalou Alemão, deixando o time com três atacantes. A melhora foi significativa. Com maior ofensividade, o Verdão partiu para cima e conseguiu equilibrar o jogo, criando muitas oportunidades. “Pela melhora que tivemos, merecíamos o empate. Seria o resultado mais justo”, reclamou Lopes após o jogo. Entretanto, mesmo arriscando-se no ataque, o placar já estava sacramentado. O próximo compromisso do Coxa é no domingo, contra o Palmeiras, no Couto Pereira.

CAMPEONATO BRASILEIRO
30.ª Rodada
Local: Mineirão (Belo Horizonte-MG)
Árbitro: Luís Marcelo Vicentin Cansian (SP)
Assistentes: Válter José dos Reis (FIFA-SP) e Márcio Luiz Augusto
Gols: Capixaba aos 46 segundos e Rodrigo Fabri aos 11 e 15 minutos do 1º tempo.
Público: 3.659 (total 4.081)
Renda: R$ 31.388,50
Cartões amarelos: Reginaldo Vital, Zé Luiz, Rodrigo Fabri, Flávio, Ataliba e Jucemar.

Atlético-MG 2×1 Coritiba

Atlético-MG
Danrlei; Alessandro, Gaúcho, André Luiz e Rubens Cardoso; Walker, Zé Luís, Renato (Márcio Araújo) e Alex Mineiro (Juninho); Rodrigo Fabri (Marcelinho) e Márcio Santos. Técnico: Jair Picerni

Coritiba
Fernando; Jucemar (Alexandre Fávaro), Miranda, Flávio e Ricardinho (Adriano); Ataliba, Roberto Brum, Luís Carlos Capixaba e Reginaldo Vital (Alemão); Aristizábal e Tuta. Técnico: Antônio Lopes