Fernando acredita que grupo
aprendeu com a ?amarga? lição de 2002.

A história é outra a partir de agora. A partida de amanhã, às 20h30, contra o Ituano, no Estádio Novelli Júnior, marca a estréia do Coritiba na Copa do Brasil, e representa também uma mudança profunda na forma de encarar uma competição. Se, apesar do tempo curto, há uma fase inicial de pontos no campeonato paranaense, o momento agora é de ?mata-mata?. E, segundo o técnico Paulo Bonamigo, o espírito do time tem que ser outro.

Bonamigo sabe muito bem do que está falando. Um de seus maiores títulos como jogador – a Taça Libertadores de 83 – foi marcado por uma série final de ida e volta (contra o Peñarol). Além disso, ano passado ele comandou o Paraná Clube na ótima campanha tricolor na Copa do Brasil, quando foi eliminado pelo campeão Corinthians nas quartas-de-final. Só que, ao mesmo tempo, o treinador comanda um grupo que em grande parte participou da vexatória derrota para a Ponte Preta, logo na primeira fase da competição.

O técnico pensa que tudo isso precisa ser colocado no mesmo caldeirão. “O que aconteceu com o Paraná serve como exemplo, e a eliminação do Coritiba é uma lição”, explica Bonamigo. “Nós aprendemos como é importante fazer o resultado dentro de casa”, relembra o goleiro Fernando. “E, mais que tudo, a equipe precisa ter aplicação. Ano passado, a final reuniu o melhor time do País (Corinthians) e o time mais aplicado taticamente (Brasiliense)”, completa o treinador alviverde.

Essa aplicação Bonamigo quer ver em Itu. “Nós não podemos nos esquecer que vamos encarar uma equipe que disputa essa competição pela primeira vez, e que vai partir com tudo para cima”, comenta o técnico. “Para o Ituano, o jogo é uma final de Copa do Mundo”, diz Fernando. “Eles mantêm a base há um bom tempo e isso é mais um ponto que nós temos que ficar atentos”, adverte Marcel, que enfrentou o Ituano quando jogou pela Matonense, ano passado.

Além disso, o treinador alviverde quer o Coritiba sabendo jogar na casa do adversário. “Claro que nós precisamos ter alguns cuidados, mas não podemos ficar acuados”, explica. Bonamigo pretende ver a sua equipe mantendo a força ofensiva e não desperdiçando oportunidades. “Não podemos repetir o que aconteceu na partida contra a Adap”, comenta, para depois completar: “Nós tivemos nove chances no primeiro tempo e não aproveitamos”.

Mas Bonamigo terá um fator positivo para que o rendimento ofensivo melhore. Ausente da partida contra a Adap Marcel está de volta à equipe – assim como Fabrício, Reginaldo Nascimento e Roberto Brum, que cumpriram suspensão no sábado. “O nosso objetivo é fazer um placar interessante, e se for possível abrir dois gols de diferença”, diz o centroavante, lembrando a possibilidade de eliminar o jogo de volta, previamente marcado para o dia 12 de março.

Com o retorno dos quatro titulares, o Cori estará completo em Itu. E isso alegra Bonamigo. “Nós vamos ter a equipe que melhor se portou na temporada. E isso é um fato importante para que tenhamos uma produção defensiva e ofensiva de qualidade”, diz o técnico, que finaliza com otimismo: “Respeitamos nosso adversário, mas nós pensamos em classificação. E se for possível, já nessa primeira partida”.

Fernando, nove meses como o camisa um

A coincidência da data passou despercebida. Sábado, quando o Coritiba enfrentou a ADAP, o goleiro Fernando completou exatos nove meses como goleiro titular – em 39 jogos. Além disso, ele participou de todas as partidas da equipe, sem se ausentar (por contusão ou lesão) uma vez sequer. É mais uma prova do ótimo momento do goleiro, que hoje é um dos melhores do país na posição.

Nem mesmo Fernando se apercebera da data – o primeiro jogo dessa seqüência aconteceu em 15/05/2002, contra o Prudentópolis. “Pois é. Eu me lembro que fui titular nos primeiros jogos do ano passado, e depois eu perdi a posição. Foram quase dois meses como reserva”, relembra o goleiro. Naturalmente, ele não gosta muito de falar sobre a sua saída do time principal, que aconteceu por decisão exclusiva do então treinador Joel Santana.

Mas, na base de treino e da confiança depositada por Paulo Bonamigo, Fernando voltou para não mais sair. “Tenho que agradecer tudo que o Bonamigo apostou em mim”, diz o goleiro, que tem outro grande aliado – o preparador de goleiros Cassius Hartmann. “O Cassius me ajudou tanto nos treinos quanto fora dos treinos, e é uma pessoa muito importante nesse meu bom momento”, comenta.

E a fase de Fernando é visível a cada jogo. Mesmo contra uma equipe mais fraca como a Adap, o goleiro foi exigido e não comprometeu. Mas ele prefere não tomar apenas como seu o bom momento. “Se eu estou bem, é porque o restante da equipe está, o que está provado pela nossa liderança no paranaense. Eu não posso ficar achando que só eu estou em boa fase”, afirma, mostrando mais uma vez que tem um estilo diferente de seu antecessor, o falastrão Wéllerson.