Foto: Orlando KissnerTribuna
Para Rubens Júnior, o time tem
que jogar com a mesma
vontade que apresentou no
segundo tempo contra o Galo.

Agora não dá mais para tirar a calculadora das mãos. Com a derrota para o Atlético-MG, o Coritiba precisa ‘calcular’ as suas necessidades nas duas últimas rodadas do campeonato brasileiro – pela dramaticidade da situação, são os dois jogos mais importantes do clube nos últimos anos. Para o Coxa, o rebaixamento seria uma ‘tragédia’, palavra usada por dirigentes após a "batalha do Mineirão".

O caso alviverde é peculiar. Ao mesmo tempo que a má classificação preocupa cada vez mais, o time ainda tem uma brecha para salvação. Mesmo que perca no Anacleto Campanella o Coxa pode chegar à última rodada com esperanças, claro que nesta situação mais remotas. Numa hipótese mais surpreendente, o Cori pode escapar até com dois empates. E, por incrível que pareça, pode se garantir na Série A apenas com suas forças – só que para isso é obrigatório vencer o São Caetano no domingo. As contas do Coritiba são as seguintes:

1) Vencendo os dois jogos: Neste caso, o Coxa vai a 51 pontos e dificilmente será rebaixado. Isto porque uma vitória simples sobre o Azulão faz com que o time de Cuca fique para trás – as duas equipes ficariam iguais em todos os critérios, mas com o Cori tendo vantagem no confronto direto. Mesmo assim, seria necessário ‘fazer saldo’ contra para não correr riscos. Se os paulistas derrotarem o Cruzeiro na última rodada por 2×0, por exemplo, o Coxa teria que no mínimo fazer o mesmo placar com os gaúchos. Uma vitória alviverde no domingo com dois gols de diferença daria, além do confronto direto, a vantagem de um gol no saldo, e assim por diante. Nesta hipótese, o Figueirense poderia somar até quatro pontos, pois os catarinenses ficariam com uma vitória a menos.

2) Vencendo o São Caetano e empatando com o Inter: O Coritiba chegaria aos 49 pontos e teria que torcer por uma destas hipóteses – um empate do Azulão com o Cruzeiro, de derrotas da Ponte Preta para Corinthians e Brasiliense ou de dois empates do Figueirense. E o Atlético-MG não poderia vencer seus dois jogos.

3) Empatando com o São Caetano e vencendo o Inter: Neste caso, com os mesmos 49 pontos, o Cori teria que torcer por uma derrota do São Caetano (se possível com boa diferença de gols) ou de uma das outras situações citadas acima. Pode acontecer um fato inusitado – se Coxa vencer o Inter e o Azulão perder para o Cruzeiro pelo mesmo placar (1×0 e 0x1, por exemplo), os dois times terminariam empatados em todos os critérios, e a definição de quem cairia para a Segundona teria que sair por sorteio.

4) Vencendo o São Caetano e perdendo para o Inter: Com 48 pontos, o Coxa teria que contar com duas destas hipóteses: uma vitória do Cruzeiro sobre o Azulão (também com boa diferença de gols), que o Figueirense conquistasse apenas um ponto ou que o Atlético-MG não vencesse as suas duas partidas.

5) Perdendo para o São Caetano e vencendo o Inter: Para o Cori se salvar, seria obrigatório que o Figueira só conseguisse um empate e que o Galo conquistasse no máximo quatro pontos.

6) Empatando os dois jogos: O Coxa teria que contar com uma série de resultados – o Figueirense perder as duas partidas, o Galo não conquistar mais que dois pontos, o Paysandu não passar dos quatro e o Brasiliense, se vencer os dois jogos, não atingir um saldo de seis gols.

Se o Coritiba só conquistar um ponto nas duas últimas rodadas ou perder seus jogos, estará rebaixado. E, caso neste domingo o time perca para o São Caetano e o Figueirense vença o Brasiliense, o Coxa cai para a Série B com uma rodada de antecedência.

Mais um adversário, a matemática!

Depois de tanto jogar a favor, agora a matemática está contra o Coritiba. Após a terceira rodada seguida na zona de rebaixamento, o time tem grandes chances de cair para a segunda divisão, segundo os especialistas em números. E as possibilidades só não são maiores porque o Coxa ainda tem o confronto direto com o São Caetano no domingo.

Para o matemático Tristão Garcia, do sítio Infobola (www.infobola.com.br), o Cori não tem o que pensar.

?O Coritiba precisa, prioritariamente, ganhar os dois jogos. Daí não será rebaixado?, afirmou, em entrevista à rádio CBN. Segundo o matemático, as chances alviverdes de degola são de 66% – quer dizer, duas em cada três.

Os professores de estatística da USP, que gerenciam o sítio Chance de Gol (www.chancedegol.com.br),

não são mais otimistas. Nas contas deles, o Coxa tem um risco de 67,5% de integrar a Série B em 2006. Fechando a ?trinca? de matemáticos, Oswald de Souza diz que o Coritiba tem 65% de possibilidade de rebaixamento.

É só jogar com vontade

Para conseguir uma vitória sobre o São Caetano, os jogadores do Coritiba sabem que muitas das atitudes tomadas nas últimas rodadas – inclusive no jogo de domingo com o Atlético-MG -terão que ser reavaliadas. Principalmente a falta de iniciativa ofensiva, evidente no primeiro tempo do jogo do Mineirão, e que acabou fazendo falta mais tarde.

O melhor resumo partiu de Rubens Júnior, o destaque do Coxa em Belo Horizonte. ?Se nós jogarmos as duas últimas partidas com a vontade que apresentamos nos últimos minutos, podemos sair desta situação?, afirmou. O certo é que o time só teve maior ímpeto na segunda etapa, quando precisava correr para buscar o empate. ?A gente precisa chegar na frente do gol e chutar e não entregar a bola para o adversário?, desabafou o zagueiro Anderson.

A tática montada por Márcio Araújo previa a cautela dos primeiros minutos, mas com um pouco mais de presença no ataque. ?A gente acabou isolando nossos homens de frente, porque não tínhamos jogadas pelas laterais?, comentou o treinador, que segue acreditando. ?A gente ainda acredita. Não vamos jogar a toalha em nenhum momento. Nós temos o jogo contra o São Caetano. Se a gente vencer iguala tudo. Vamos lá para ganhar?, afirmou.