Orlando Kissner
Nem orações, como a do meia Élton, funcionaram para o Coritiba.

Não faltou vontade, mas para um time que pretendia ser 110%, o Coritiba enfrentou o Goiás sem ação, sem categoria e sem força para suplantar um adversário nitidamente superior. Resultado: uma derrota por 2×0 que sepulta muitas das possibilidades que o time ainda detinha neste campeonato. Além disso, coloca uma dúvida sobre jogadores e comissão técnica, que mais uma vez frustraram os anseios da torcida, que deixou o Couto Pereira vaiando e chamando os jogadores de ?pangarés?.

O Coritiba precisava de recuperação. De qualquer jeito. O rendimento apenas regular jogando dentro do Couto Pereira deixava margem a dúvidas – não se podia ter certeza de uma boa atuação, ainda mais contra o forte Goiás. O reflexo era o pequeno público no Couto Pereira. O técnico Cuca, entretanto, avisara aos torcedores que não faltaria vontade, e que o jogo seria o primeiro passo de uma arrancada que ainda não saíra do discurso, apesar das inúmeras chances que o time teve durante o Brasileiro.

Só que qualquer expectativa foi por água abaixo logo no primeiro lance ofensivo do Goiás. Aproveitando o espaço livre pelo lado direito da defesa coxa – uma constante na primeira etapa – o ataque visitante fez tabela na entrada da área e Rodrigo Tabata abriu o placar. Aos seis minutos, os goianos marcaram o segundo. Tabata percebeu Douglas adiantado e tocou por cima, sem chances para o goleiro alviverde. ?Nós entramos muito devagar. A torcida está certa?, reclamou o zagueiro Anderson no intervalo, saindo sob vaias.

E os torcedores foram ao desespero em cada desperdício de bola do Coritiba. E foram muitos – inúmeros passes errados, pelo menos dez bolas alçadas à área sem qualquer perigo, além dos buracos na marcação. Pela direita, a tática alviverde criou a ?avenida Jackson?, só fechada quando Cuca resolveu recuar Rodrigo Mancha para a defesa e liberar o então lateral para o apoio.

Além disso, o Cori era um time sem ação, desnorteado ante a força técnica, tática e até bruta do Goiás – que exagerou nas faltas. O domínio do primeiro tempo foi estéril, pois o time deu um único chute ao gol de Harlei. Para tentar acertar o time (e arrematar mais a gol), Cuca sacou Élton e colocou Alcimar. Nem houve tempo de ver se daria certo, pois logo a três minutos Rodrigo Mancha foi expulso.

Dali em diante, o torcedor que foi ao Alto da Glória viu um time desnorteado, sem condições de reagir. Exemplo mais claro era o centroavante Tiago, que não concluiu a gol uma única vez. Outros jogadores tinham receio de chutar, temendo talvez novas falhas. Enquanto isso, o Goiás administrava o jogo e a segunda posição consolidada na classificação – e ainda se dava ao luxo de dar chapéus e fazer tabelas de calcanhar. Para piorar o cenário, a torcida terminou a partida mostrando notas para os jogadores e chamando-os de ?mercenários?. Final melancólico para uma noite que não será esquecida tão cedo.

Cuca, seria frustrante sair

?Nunca fui tão xingado em toda a minha carreira. Mas eles estavam certos.? O técnico Cuca reconheceu, logo após a derrota para o Goiás, que a atuação do Coritiba foi abaixo da crítica. Mas, mesmo vaiado, cobrado e questionado pela torcida, ele mantém a posição de acreditar no grupo – que não vem dando a resposta que o próprio treinador imagina. E o presidente Giovani Gionédis, antes da boataria, garantiu que não haverá mudança no comando.

?A mesma torcida que pedia o Cuca agora quer o Lopes de volta. O Cuca será o nosso treinador até o final do ano que vem?, afirmou o presidente, que chegou a discutir com jornalistas. Segundo Gionédis, o problema é emocional. ?Durante o treino, todo mundo acerta. Mas vem o jogo e não funciona?, analisou o dirigente, que não quis chamar os jogadores alviverdes de ?pangarés?.

Já o treinador alviverde disse, com todas as letras, que não pensa em sair do Coritiba. ?Ainda não chegou a hora de eu sair do clube. Eu sei a hora de ir embora, aconteceu isso no São Paulo. Eu poderia pedir demissão agora, mas eu não pretendo fracassar na minha cidade. Isso seria uma frustração tremenda para mim. Eu quero continuar, e quero fazer o Cori vencer. É uma promessa minha?, disse.

Para Cuca, o time pode evoluir. ?Eu tenho certeza porque eu vejo como os jogadores treinam. Mas é preciso dar confiança a eles, fazer com que eles acreditem?, comentou o treinador, que espera – mais uma vez – a recuperação do time na próxima terça, contra o Paysandu. ?Vamos jogar com portões fechados, talvez isso nos ajude. E vamos melhorar, tanto em Belém quanto no Atletiba?, finalizou.

Apoio

Bem que Alex tentou nas sociais do Couto Pereira, mas a torcida do ?garoto de ouro? não foi suficiente para a vitória do Coritiba. O armador do Fenerbahçe, que se apresenta hoje à seleção brasileira, foi embora do estádio ouvindo pedidos de torcedores para que ele voltasse ao Alto da Glória.

CAMPEONATO BRASILEIRO
Súmula
Local: Couto Pereira
Árbitro: Fabrício Neves Corrêa (RS)
Assistentes: José Otávio Dias Bittencourt e Marcos Viana Ibanez (RS)
Gols: Rodrigo Tabata 1 e 6 do 1º
Cartões amarelos: Anderson, Rodrigo Mancha e Caio (CFC); Luciano Almeida, Souza (GOI)
Cartão vermelho: Rodrigo Mancha
Renda: R$ 40.595,00
Público: 5.027 (4.065 pagantes)

CORITIBA 0x2 GOIÁS

Coritiba
Douglas; Jackson, Douglas Ferreira, Anderson e Fabinho; Rodrigo Mancha, Peruíbe, Élton (Alcimar) e Caio; Marciano (Tiago) e Renaldo. Técnico: Cuca

Goiás
Harlei; André Dias, Júlio Santos e Rogério Corrêa; Paulo Baier, Cleber, Cléber Gaúcho, Rodrigo Tabata e Luciano Almeida; Souza e Roni. Técnico: Geninho