Não se tem notícia, nos últimos anos, de uma partida tão importante para o Coritiba como a das 16h, contra o Internacional, no Couto Pereira.

O jogo de hoje representa muito para o passado, para o presente e para o futuro do clube. Para o passado, porque pode manchar definitivamente uma temporada, transformando-a na mais negativa da história alviverde. Para o presente porque seria uma tragédia imensurável para a torcida que deve lotar o Alto da Glória. E para o futuro, porque pode definir tendências e políticas para os próximos anos.

Tudo por causa da ameaça de rebaixamento para a Série B. O Coritiba não depende apenas dos próprios esforços para salvar-se da degola (ver quadro). Precisa vencer o Colorado – se possível com diferença de gols – e contar com tropeços de São Caetano ou Ponte Preta. A queda significaria a interrupção brusca do projeto de recuperação do clube, e seria a primeira vez que o Coxa seria rebaixado para a segunda divisão dentro de campo. E seria também o primeiro passo de uma redução orçamentária que chegaria até a dez milhões de reais. Isto sem contar a decepção de centenas de milhares de torcedores. Em contrapartida, a salvação detonaria uma onda de otimismo refreada há tempos, além de fazer com que 2005, por mais que não tenha sido um bom ano para o Cori, pelo menos não se transforme em um ano inesquecível no pior sentido.

Só que não é tão simples passar por este desafio. Do outro lado está o Internacional, vice-líder do campeonato brasileiro e postulante ao título. Os gaúchos estão confiantes, terão quatro mil torcedores a empurrá-los no Couto Pereira e contam até com uma goleada sobre o Coxa – que, combinada com uma vitória do Goiás sobre o Corinthians, daria o troféu de campeão ao Colorado. Além disso, há tempos o Coxa não consegue suplantar o rival. A última vitória data de 2 de novembro de 2002 (1×0, no Beira-Rio).

Mesmo assim, os alviverdes estão confiantes. "Eu vejo um grupo preparado, consciente do que precisa fazer e com muita responsabilidade", comenta o técnico Márcio Araújo, que venceu o primeiro desafio da semana decisiva – recuperar o ânimo do grupo, que estava abalado depois do empate com o São Caetano. "Ele fez um trabalho ótimo, e desde o início dos treinos a gente se sente melhor. Agora, estamos prontos para encarar o Inter e fazer a nossa obrigação, que é vencer e tirar o Coritiba desta situação", garante o zagueiro Anderson.

O grande problema do Coritiba – e segundo desafio de Márcio Araújo – foi fazer o grupo aumentar a autoconfiança. O técnico se preocupou, desde que chegou ao clube, em tentar recuperar um elenco esfacelado emocionalmente. "Hoje a gente está acreditando. Temos confiança no nosso valor. O Márcio chegou a dizer para a gente não temer o erro, porque ele vai acontecer. Com isso, você arrisca mais", revela o lateral Ricardinho. "Quero que eles saibam que eu aposto tudo neles", argumenta o treinador, que apostou até o cabelo pela salvação do Coxa.

O terceiro desafio é o definitivo, que pode confirmar a recuperação de um grupo abalado e esfacelado, que pode transformar um técnico em redentor e salvar um clube do rebaixamento. "Vamos enfrentar um rival de excelente qualidade. Mas vamos jogar com alegria, da maneira que a torcida espera, com a qualidade e a empolgação necessárias para vencer e acabar com esta preocupação", finaliza Márcio Araújo.

Experiente Anderson é a dúvida

Imaginava-se que o Coritiba chegaria ao jogo de hoje com dúvidas na equipe. Mas não se esperava que ela seria na zaga, que estava confirmada desde o início da semana. O zagueiro Anderson continua em tratamento intensivo por conta de uma lesão na coxa esquerda, e sua liberação só será confirmada momentos antes do confronto com o Internacional. Seria uma perda considerável para Márcio Araújo, que aposta na experiência para tirar o Cori do sufoco.

O Coxa vai entrar em campo, caso Anderson seja escalado, com uma equipe com média de idade de 28,2 anos. Cinco jogadores (Anderson, Reginaldo Nascimento, Luís Carlos Capixaba, Jackson e Renaldo) têm mais de 30 anos, e apenas Ricardinho e Peruíbe têm menos de 22. Desde que Márcio Araújo assumiu a equipe ele tem privilegiado os mais experientes.

Por isso o técnico espera contar com o zagueiro. "Acho que um repouso e o tratamento dos nossos médicos será suficiente. Ele está cansado, e é natural", argumenta. De resto, o Coritiba está pronto. Márcio preferiu escalar Rodrigo Batata na lateral-direita e confia na formação "híbrida" que colocará contra o Inter. "Vamos para cima, podem ter certeza", resume o meia Caio, principal esperança da torcida.

Colorados ainda acreditam na "missão impossível"

Porto Alegre – A missão é quase impossível, mas o Internacional ainda acredita que pode encerrar este domingo como campeão brasileiro pela quarta vez em sua história. Para isso, tem de ganhar do Coritiba no Couto Pereira, depende de uma derrota do Corinthians para o Goiás, no Serra Dourada e, ainda, precisa que a soma do saldo dos dois jogos seja superior a cinco gols.

A fé colorada deve-se à insistência que o time demonstrou em jogos recentes para alcançar resultados que pareciam inatingíveis. A filosofia de não se entregar nunca rendeu vitórias contra o mesmo Coritiba -na repetição de um dos 11 jogos anulados pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva – o Brasiliense e o Palmeiras, todos com o gol decisivo marcado depois dos 40 minutos do segundo tempo.

"Acreditamos sempre e não vamos desistir agora que falta só uma rodada para atingirmos o objetivo do ano", ressalva o lateral-esquerdo Jorge Wagner. "Enquanto a bola rolar, vamos lutar", promete o atacante Rafael Sobis. "Desse grupo eu não duvido nada", incentiva o técnico Muricy Ramalho.

O treinador terá que entregar a um time alterado a missão de tentar golear o Coritiba. As contusões afastaram o goleiro titular, Clemer, e o zagueiro Wilson, e ameaçam os meias Perdigão e Ricardinho. Além disso, o zagueiro Ediglê e o volante Gavilán estão suspensos. Diante de tantas mudanças e indefinições Muricy deixou para escalar o time na última hora.

A defesa será recomposta com a entrada de André no gol e Bolívar e Vinícius na zaga. Mas o meio-de-campo terá algumas novidades. Uma delas é o deslocamento do zagueiro Edinho para a vaga de Gavilán. Tinga cumpriu suspensão contra o Palmeiras e volta ao time.

É na montagem das duas posições mais ofensivas do meio-de-campo e da dupla de ataque que Muricy faz mistério. Se Perdigão puder jogar, faz dupla recuada com Edinho, liberando Tinga para a armação de jogadas. Se for vetado pelos médicos, deixa a vaga para Márcio Mossoró. Neste caso, Tinga joga mais recuado. O posicionamento do atacante Fernandão depende da escalação de Ricardinho. Se o meia não participar do jogo, o capitão do time recua para o meio-de-campo e abre uma vaga para Renteria.

Na mobilização para o jogo, o Internacional decidiu levar 29 de seus 30 jogadores a Curitiba, inclusive os suspensos e contundidos. Só o zagueiro Wilson, que se submeteu a uma cirurgia no tendão de Aquiles na sexta-feira, ficou em Porto Alegre. Os gaúchos que moram no Paraná e os que lotaram 15 ônibus para viajar de Porto Alegre a Curitiba prometem ocupar todos os 4,8 mil lugares destinados à torcida visitante.

CAMPEONATO BRASILEIRO
ÚLTIMA RODADA
Súmula
Local: Couto Pereira
Horário: 16h
Árbitro: Elvécio Zequetto (MS)
Assistentes: Paulo César Pereira de Freitas (MS) e Alécio Aparecido Lezzo (MS)

CORITIBA X INTERNACIONAL

Coritiba
Douglas; Rodrigo Batata, Anderson, Reginaldo Nascimento e Ricardinho; Peruíbe, Luís Carlos Capixaba, Jackson e Caio; Alcimar e Renaldo. Técnico: Márcio Araújo

Internacional
André; Élder Granja, Bolívar, Vinícius e Jorge Wagner; Edinho, Tinga, Perdigão (Márcio Mossoró) e Ricardinho (Renteria); Fernandão e Rafael Sobis. Técnico: Muricy Ramalho