Jackson será um dos responsáveis
pela armação das jogadas.

A mudança do sistema tático do Coritiba também deve representar uma nova filosofia de jogo, a partir de amanhã, quando enfrenta o Paysandu, às 16h, no estádio Mangueirão, em Belém. Com mais peças ofensivas, o Cori tenta, finalmente, encontrar o equilíbrio entre defesa e ataque, entre esquerda e direita, entre boas atuações e vitórias.

Isso não vem acontecendo até o momento, fazendo o técnico Paulo Bonamigo se esforçar para tentar entender o que se passa. Depois de tentar quatro duplas de ataque, sem que elas conseguissem ter sucesso, o treinador agora parte para uma proposta mais ousada. “Nós precisamos ter esse equilíbrio, uma equipe com ações ofensivas aliadas à estrutura defensiva inteligente”, resume.

O primeiro passo para que se ?criasse? o tal equilíbrio foi a mudança do sistema. Não que o 3-5-2 seja defensivo e o 4-4-2 seja ofensivo – mas, pela arrumação dos jogadores no esquema, a formação com quatro zagueiros se mostrou mais eficiente no ataque. É a segunda tentativa de jogar com um time ofensivo, mas na primeira a experiência (que consistia na entrada de Jackson na ala-direita) ficou apenas nos treinamentos.

Agora, o time terá dois armadores, Jackson e Lima (que passará por uma avaliação clínica esta manhã) ou Alexandre Fávaro. “Nós volantes temos que dar sustentação aos meias”, explica Reginaldo Nascimento, que volta à sua posição de ofício, formando a dupla com Roberto Brum. “Precisamos ter iniciativa de jogo. Vamos tentar impor o nosso ritmo na partida”, completa Bonamigo.

Com a entrada de mais um meia ofensivo, as obrigações de Jackson diminuem. Ao mesmo tempo que essa armação desobriga os agora laterais Maurinho e Leandro de sempre apoiarem, eles terão sempre com quem jogar. “O Bonamigo pediu para que a gente faça a função de ala quando a gente estiver no ataque”, confirma Maurinho.

Só que deles (os laterais) também é exigido o trabalho de zagueiros, principalmente porque Bonamigo se preocupa com o ataque do Paysandu. “Eles têm dois jogadores muito interessantes, que são o Wélber e o Iarley, além do Róbson, que é um goleador”, alerta o treinador coxa. “Nós vamos cobrir os zagueiros quando necessário”, resume Maurinho.

Marcel quer balançar as redes de novo

Ele está de volta e quer ficar. O centroavante Marcel é a grande novidade do Coritiba para a partida de amanhã contra o Paysandu. Ele ficou cinco jogos no banco de reservas, e admite que a atitude do técnico Paulo Bonamigo foi decisiva para ele superar a má fase vivida por ele no início do campeonato brasileiro. Recuperado, ele quer voltar a ser o homem-gol do Cori, e projetar seu futebol para todo o país.

Talvez a artilharia do campeonato paranaense tenha feito ?mal? ao jovem atacante (ainda 20 anos). O fato é que, nas primeiras quatro partidas do Cori no Brasileiro, Marcel não marcou um gol sequer, e foi severamente criticado pelos torcedores, que não o deixavam jogar no Alto da Glória. Sem opção, Bonamigo o sacou do time para a entrada de Marco Brito, mas agora recoloca Marcel na equipe. “Ele recuperou-se, e é o momento dele voltar”, comenta o treinador.

E o centroavante reconhece que foi bom encarar esse mau momento de frente. “Eu não estava bem, e foi até positivo que eu ficasse um tempo fora da equipe. E o professor Bonamigo reconheceu que eu estou bem e me escalou de volta”, comemora. A reabilitação de Marcel começou, na verdade, com o gol que concretizou a virada sobre o Paraná.

Naquele momento, não voltava só Marcel, mas sim a dupla de ataque campeã paranaense, formada por ele e Edu Sales – que ficaram separados pelas cinco últimas rodadas. “Eu gosto de jogar com o Edu, porque ele é um jogador de característica diferente da minha, e com isso a gente acaba se completando”, comenta o centroavante.

Isso faz com que Marcel se anime com o retorno. “Acho que nós temos todas as condições de voltar de Belém com um bom resultado”, diz o centroavante, que pensa também no que pode representar para ele essa vitória. “O campeonato é longo, e nós temos que sempre estar provando a nossa capacidade. Quero voltar à equipe para não sair mais, e fazer um bom papel na competição”, promete.