Paulo Sérgio / Jornal dos Sports
Paulo Sérgio / Jornal dos Sports

Apesar da luta, o Cori sucumbiu
pela falta de presença ofensiva.

Nada é tão ruim que não possa piorar. O Coritiba começou o sábado com quatro derrotas consecutivas e na pior posição da equipe no Campeonato Brasileiro. E, ao perder para o fraco Botafogo por 2×0, no Luso-Brasileiro, terminou o dia igualando a série negativa histórica de 2001 (cinco derrotas seguidas) e em 17.º lugar, perigosamente perto da zona de rebaixamento. Para quem imaginava iniciar a recuperação, o Coxa teve novo fracasso retumbante. A próxima semana deve ser agitada.

Antônio Lopes Júnior decidiu surpreender na escalação do Coritiba. Ele sacou Tiago e Élton, que treinaram a semana inteira como titulares, e colocou o novato Anderson Gomes, que fazia sua estréia na equipe profissional, ao lado de Renaldo, de volta à equipe depois de dez dias de turbulência. O treinador interino alviverde prometia colocar uma equipe ofensiva em campo, para aproveitar a crise que rondava o Botafogo – que teve o empresário Carlos Augusto Montenegro, numa manobra ostensiva, assumindo o comando do futebol.

Com tantos problemas, o Fogão parecia uma presa fácil no início da partida. Percebendo isto, o Coritiba iniciou marcando forte e controlando as ações ofensivas. Anderson Gomes (que teve boa estréia) e Rodrigo Batata eram quase pontas, com Renaldo atraindo a atenção dos zagueiros cariocas. O caminho da vitória coxa estava claro – era só forçar as jogadas de velocidade e tirar proveito da fraqueza técnica dos donos da casa.

Só que o Cori, depois de quinze minutos de bom futebol, ?apagou?. Era como se um interruptor, que controlaria a motivação alviverde, tivesse sido desligado. E o Bota abriu o placar em uma jogada banal -Alex Alves tocou por cima de toda a defesa e deixou Caio na cara do gol. O atacante dominou e fulminou Douglas. Dali em diante, o Coritiba tornou-se uma equipe abalada, errando lances simples e não conseguindo reagir na partida.

Apesar da queda emocional, não estava complicado para o Coxa conseguir o empate. Tanto que, mesmo sofrendo com as falhas, o time chegou a pressionar – mas na hora de definir, ou os jogadores não arrematavam ou perdiam os lances. No intervalo, Lopes Júnior pediu o que podia: mais coragem nos contra-ataques, acerto nos passes e melhor marcação.

Mas o Cori manteve-se irregular, e Douglas foi obrigado a trabalhar três vezes em jogadas de Ramón e Alex Alves. O técnico interino alviverde, preocupado com a marcação, sacou Humberto e colocou Silas – e, minutos depois, querendo ver o time mais à frente, tirou Batata e pôs Eanes, o segundo estreante coxa da noite. Na reta final do jogo, a última cartada: Tiago no lugar de Anderson Gomes.

Só que nada disso adiantou. O Coritiba não teve a ousadia e a presença ofensiva suficiente para conseguir ao menos o empate. Tanto foi inoperante que, em todo o segundo tempo, o time teve apenas uma chance de gol – desperdiçada. E, para acabar de vez com o sábado, Alex Alves marcou aos 41 minutos, resolvendo a partida. A cada dia mais pressionado, o Coxa tentará a reabilitação na terça, contra o Cruzeiro, no Alto da Glória.

CAMPEONATO BRASILEIRO
BOTAFOGO 2×0 CORITIBA

Botafogo: Lopes; Rogério Souza (Ruy), Rafael Marques, Scheidt (Emerson) e Bill; Jonílson, Diguinho, Glauber e Ramón (Ricardinho); Alex Alves e Caio. Técnico: Celso Roth

Coritiba: Douglas; James, Anderson, Vagner e Ricardinho; Márcio Egídio, Humberto (Silas), Rodrigo Batata (Eanes) e Caio; Anderson Gomes e Renaldo. Técnico: Antônio Lopes Júnior

Local: Luso-Brasileiro (Rio de Janeiro-RJ)

Horário: 20h30

Árbitro: Wallace Nascimento Valente (ES)

Assistentes: Alfonso Scarpati (ES) e Marcos Antônio Moreira Collodetti (ES)

Gols: Caio 20 do 1o e Alex Alves 41 do 2o

Cartões amarelos: Bill, Rogério Souza, Diguinho (BOTA); Rodrigo Batata, Ricardinho, Anderson Gomes, Anderson, Márcio Egídio (CFC)

Renda e público: não divulgados.