Odvan, que já jogou no Peixe,
será consultor de Bonamigo.

Santos é uma experiência realmente nova para o Coritiba. Jogar no litoral paulista representa a primeira partida coxa em São Paulo, e principalmente o desafio de enfrentar o alçapão da Vila Belmiro. Até agora, quase todos os jogos alviverdes fora de casa foram em amplos estádios, verdadeiros ?campos neutros? que facilitam a vida de quem é visitante.

A única partida coxa em um estádio pequeno neste campeonato foi em Caxias, contra o Juventude, que venceu por 2×1. Mas não houve pressão, porque o dono da casa atraiu poucos torcedores. Nos outros jogos, só ?gigantes de concreto armado?: Maracanã (Flamengo), Mineirão (Atlético-MG), Olímpico (Grêmio), Mangueirão (Paysandu) e Fonte Nova (Bahia). “São estádios em que não há muita pressão, e nos quais a gente pôde jogar futebol”, atesta o técnico Paulo Bonamigo.

Não será assim no domingo. E é isso que pode impressionar a garotada coxa. “É uma experiência nova para eles. Essa força que o Santos tem na Vila Belmiro pode deixar alguém mais assustado”, confessa Bonamigo. Os jovens do elenco alviverde têm pouco conhecimento de jogos no litoral paulista.

Bonamigo confessa que a importância do jogo, que é contextualmente grande (é o terceiro colocado enfrentando o quarto), torna-se ainda maior pelo local da partida. “Se nós quisermos sonhar com coisas mais altas nesse Brasileiro, temos que ganhar do Santos na Vila”, afirma.

E ele vai usar todos os artifícios para deixar o time pronto para jogar no alçapão. Odvan, que já jogou no Santos, será consultado. “Nós temos que jogar com inteligência para conseguir um bom resultado. Tenho certeza que a meninada não vai sentir a pressão da torcida”, garante o zagueiro, que se garante como titular.

E outro detalhe que pode ajudar é a desconfiança da grande imprensa. Para Bonamigo, o Cori vai provar para muitos que pode chegar longe no Brasileiro. “A imprensa dos grandes centros ainda está questionando o Coritiba, estão dizendo que nós não vamos conseguir permanecer entre os primeiros. E eu vou usar isso. Já falei para os jogadores e eles estão conscientes da resposta que precisam dar”, resume.

Técnico mantém equipe, mas muda a tática

A intenção do técnico Paulo Bonamigo é repetir domingo a mesma formação que venceu o São Caetano. Se isso acontecer, começa a aparecer o time ideal do Coxa. Afinal, o treinador conseguiu ?encaixar?, numa mesma formação, onze jogadores que pareciam nunca conseguirem jogar juntos. Mesmo assim, o mais interessado no assunto garante que o ?ideal? pode não ser eterno.

Bonamigo alega que o momento é realmente dos onze que devem jogar, a saber: Fernando; Odvan, Edinho Baiano e Reginaldo Nascimento; Willians, Jackson, Adriano, Tcheco e Lima; Edu Sales e Marcel. “Eu acredito que essa seja a melhor formação para o momento. Mas não posso dizer que será assim o tempo inteiro”, explica.

“É bom manter o mesmo time, porque a gente vai se acostumando com o estilo de jogo de cada companheiro”, afirma o volante Willians. Em contrapartida, Bonamigo dá o exemplo contrário – exatamente com o ?rival? de Willians. “Veja o caso do Brum. Ele está se recuperando e quando voltar vai jogar, porque tem qualidade”, diz.

É por isso que o treinador diz que o estilo de jogo será diferente no final de semana. A justificativa é a forma como o Santos joga. “Eles jogam em um 4-5-1 quando defendem e em um 4-3-3 quando atacam. Se eles jogam com três atacantes, eu não posso deixar três zagueiros para marcar. Talvez seja necessário montar duas linhas de quatro jogadores”, resume Bonamigo.

Foi o treinado ontem à tarde. Para anular a movimentação tática do Santos, o Cori também teria dois sistemas: na defesa, o 4-4-2; no ataque, o 3-5-2. Em campo, os mesmos jogadores da partida de sábado, à exceção de Reginaldo Nascimento, poupado por estar com dores musculares (em seu lugar treinou Gilmar). A surpresa foi a utilização de Willians na marcação pela direita, formando a linha com Odvan, Edinho e Adriano.

E essa mudança acarretou a passagem de Jackson para o meio-campo. Em todo o trabalho, o meia jogou na sua posição de origem, ao lado de Tcheco. Isso abre uma possibilidade de Ceará ser titular – ele treinou por trinta minutos no time de cima, entrando no lugar de Gilmar. Mas o ?time ideal? está na cabeça de Bonamigo. “A minha intenção é de, realmente, manter a mesma equipe que jogou a última partida”.