Foto: Diego Vara/Correio do Povo
Tinga deu trabalho para Jackson
e levou a melhor no final.

O poder de reação não foi suficiente. O Coritiba saiu de uma desvantagem de dois gols, empatou o jogo, mas ?caiu? novamente em Porto Alegre. No último jogo dos onze anulados pelo STJD, repetiu-se não apenas o vencedor, mas também o placar: deu Internacional, 3×2. A sétima derrota consecutiva deixa o Coritiba à beira do abismo, mas a postura do time deixa um alento à galera coxa.

Os problemas extra-campo -James teve convulsões na concentração e teve que ser substituído por Rodrigo Batata – não comprometeram a atuação do Coritiba. Sob a direção de Cláudio Marques, o time trocou a apatia por uma marcação sólida. Tocando a bola com relativa lentidão, o Alviverde inibiu a velocidade que o Internacional sempre imprime em casa. Com três zagueiros de ofício, não deu espaços a Fernandão e Renteria.

Só que a excessiva cautela fez com que o Coritiba pouco se aventurasse ao ataque. A rigor, criou somente uma jogada -curiosamente a primeira do jogo – quando Caio chutou de fora da área, mas sobre o travessão. Sem conseguir escapar da marcação, o Inter era excessivamente lento e só chegou em arremates de fora da área. Esse foi o panorama nos primeiros trinta minutos. O colorado gaúcho ameaçou em dois escanteios, mas só abriu o placar em uma penalidade máxima.

Ricardinho fez a jogada pela direita e Peruíbe derrubou o meia – desnecessariamente – na área. Fernandão cobrou com precisão, no canto direito. Não deu tempo nem para respirar. Cinco minutos depois, o colombiano Renteria arriscou de fora da área e contou com o desvio de Vágner para vencer Douglas: 2×0. O que poderia ser o gol da vitória transformou-se em estopim da reação coxa. Já nos minutos finais do primeiro tempo, o time de Cláudio Marques se lançou à frente como não fizera até então.

Era só uma amostra do que viria na etapa final. A postura mais ofensiva do Coritiba transformou o jogo. Logo no início, Élder Granja fez Douglas trabalhar. A reação coxa começou com Maia, escorando de cabeça um cruzamento de Rodrigo Batata, aos 9 minutos. No toma-lá-dá-cá, melhor para o clube paranaense, que chegou ao empate aos 31 minutos. Ricardinho, de fora da área, bateu e a bola desviou na zaga, tirando Clemer do lance.

Foi como uma ducha fria para o Inter. O jogo parecia estar à feição para o Coritiba. Só que a reação parou aí e o castigo veio no final. Renteria parou em grande defesa de Douglas, aos 39 minutos. Pouco depois, o goleiro não teve a mesma sorte. No ?abafa?, Renteria bateu forte, da entrada da área, e a bola passou por todo mundo: 3×2.

Pastor pra tentar a salvação

Márcio Araújo terá oito jogos para salvar a temporada do Coritiba. O treinador assume em momento crítico e a menos de 72 horas de um jogo decisivo. Na segunda-feira o confronto é com o Flamengo, adversário direto na luta contra o rebaixamento. Estima-se que são necessários pelo menos mais dez pontos nas oito rodadas finais para assegurar a permanência na Série A. O técnico acompanhou a atuação do seu novo clube no camarote do Beira-Rio, ao lado do presidente Giovani Gionédis, e foi oficialmente apresentado após o jogo.

Ao longo de toda a coletiva, evitou falar em rebaixamento. ?O Coritiba não está pensando em descenso. Estamos fora da zona de rebaixamento e o objetivo é sempre melhorar e não ficar olhando para trás?, disse Márcio Araújo. Conhecido por seus discursos motivacionais e de valorização do atleta (Márcio é pastor evangélico), terá pouco tempo para aplicar inovações táticas. Mais uma vez na sua carreira terá que resolver o problema em um trabalho de ?tiro curto?.

Márcio Araújo, apesar da derrota, enalteceu o poder de reação do time. ?Em momentos assim, o que faz a diferença é o ser humano?, comentou. ?Vi um time com brios e que com esta dedicação, com essa confiança, pode galgar muitas posições nesse Brasileiro?.

Para que a transição seja sem traumas, a comissão técnica sofrerá poucas mudanças. Cláudio Marques ficará na condição de auxiliar-técnico pelo menos até o final da temporada e apenas dois profissionais virão por indicação de Márcio Araújo. O auxiliar-técnico Nilton Santana seguiu para Porto Alegre ao lado do treinador. Na próxima quarta-feira, se apresenta em Curitiba o novo preparador de goleiros: Luiz Henrique, ex-goleiro de Coritiba e Paraná Clube.

CAMPEONATO BRASILEIRO
21ª RODADA (remarcado)
SÚMULA
Local: Beira-Rio (Porto Alegre).
Árbitro: Cléver Assunção Gonçalves (MG).
Assitentes: Marco Antônio Martins (MG) e Edgard Sales Abreu (MG).
Gols: Fernandão (pênalti) a 34 e Renteria a 39 do 1º tempo. Maia a 9, Ricardinho a 31 e Renteria a 42 do 2º tempo.
Cartões amarelos: Élder Granja, Ediglê, Perdigão e Márcio Mossoró (Inter). Allan, Rodrigo Batata, Caio e Maia (Coritiba).

INTERNACIONAL 3×2 CORITIBA

INTERNACIONAL
Clemer; Élder Granja, Ediglê, Edinho e Jorge Wagner; Gavilan, Perdigão (Gustavo), Tinga (Wellington) e Ricardinho; Fernandão (Márcio Mossoró) e Renteria. Técnico: Muricy Ramalho.

CORITIBA
Douglas; Vágner, Anderson e Allan (Marcelo Peabiru); Rodrigo Batata (Márcio Egídio), Peruíbe, Jackson, Caio e Ricardinho; Maia e Renaldo (Souza). Técnico: Cláudio Marques.