Ari marcou seu gol e recebeu um abraço “caloroso”.

O Coritiba é o primeiro finalista do campeonato paranaense. Com relativa facilidade, o time de Antônio Lopes repetiu o placar do primeiro jogo – ontem, no Couto Pereira – despachou o Cianorte e segue na luta pelo bicampeonato. Destaque para o colombiano Aristizábal, maior artilheiro estrangeiro no futebol brasileiro. Fez um golaço, o 100.º dele no País, e definiu o jogo.

A necessidade de vitória não alterou a dinâmica de jogo do Cianorte. Fechado e recorrendo à marcações individuais sobre laterais, meias e atacantes, o time de Caio Júnior arriscou muito pouco. Na busca por espaços, os jogadores do Coritiba recorreram às trocas de posições e tabelas. Logo aos 6 minutos, com toques rápidos, a bola chegou para Tuta, na área, e ele cabeceou para fora.

Foi desta forma que o Coxa chegou novamente, aos 17 minutos. Adriano iniciou a jogada e a bola passou por Aristizábal e Rodrigo Batatinha antes de chegar a Igor. Só que o meia abdicou da finalização e tentou a assistência a Aristizábal, facilitando a ação da defesa adversária. A rigor, o Cianorte só ameaçou com Samuel, aos 24 minutos. O atacante levou a melhor sobre Nascimento e bateu cruzado, para a defesa de Fernando. Pouco depois, Batatinha fez a jogada pela esquerda e cruzou na área. Com estilo, Aristizábal mandou a bola na trave e na sobra Igor isolou.

Foi então que Aristizábal deixou sua marca. Ele recebeu o passe de Igor, livrou-se de dois marcadores e com um toque sutil mandou a bola no canto direito de Adir, que ficou estático. Foi o 100.º gol do colombiano atuando no futebol brasileiro. É o maior goleador estrangeiro em ação no Brasil. A galera aplaudiu o artilheiro e deu início aos gritos de “bicampeão”. Para ofuscar o bom primeiro tempo, o centroavante Tuta – com atuação apagada – recebeu o terceiro cartão amarelo e está fora do primeiro jogo da final.

Sem Igor, que teve um mal-estar, o Coritiba voltou para o segundo tempo sem a mesma articulação de meio-de-campo. Mesmo com três atacantes, o time de Antônio Lopes pouco chegou à área adversária. Aos 23 minutos, o clima “esquentou”. O atacante Leandro deu uma cotovelada em Reginaldo Nascimento. O preparador físico Manoel dos Santos tentou alertar o assistente Rogério Carlos Rolim e acabou excluído pela arbitragem. Após muita confusão, Triches expulsou Leandro.

Foi então que Lopes foi ainda mais ousado e trocou Rodrigo Batatinha (com dores no tornozelo) por Luís Mário. Com quatro atacantes e tendo um jogador a mais, o Coritiba partiu para a pressão e quase ampliou aos 29 minutos, com Aristizábal. Apesar do maior volume de jogo, o Coritiba pouco finalizou e o placar não foi alterado.

Batatinha toma conta

Mesmo sem Capixaba, lesionado, o Coritiba conseguiu mostrar um meio-de-campo muito criativo. Méritos para os “baixinhos” Igor e Rodrigo Batatinha, responsáveis pelo ritmo da equipe. Foi o que se viu no primeiro tempo do jogo de ontem, quando eles desnortearam a marcação adversária. Trocando constantemente de lado e priorizando as tabelas, a dupla colocou os companheiros diversas vezes “na cara do gol”.

A noite só não foi melhor para o torcedor coxa porque no intervalo Igor voltou a reclamar de um problema estomacal e teve que sair. Isso quebrou o esquema de Lopes, que arriscou, sem sucesso, a entrada de mais um atacante (Laércio). Batatinha passou a ser o único elo de ligação entre meio-de-campo e ataque e fez a sua parte. Saiu de campo cansado, para a entrada de Luís Mário, e a torcida aplaudiu o jogador na mesma intensidade que vaiou Antônio Lopes.

O treinador deu pouca importância aos apupos e preferiu enaltecer a boa atuação de Batatinha. “Ganhamos um jogador, que nos será muito útil na seqüência da temporada”, disse Lopes, após o jogo. O treinador sabe que agora terá que armar um “novo” time para o desafio da próxima semana, frente ao Olímpia, no Paraguai, pela Libertadores. Sem Tuta – que não está inscrito na competição continental -, o treinador deve apostar em Laércio.

Cianorte vira rei do interior

Planejamento. Este é o segredo do sucesso do Cianorte, que encerrou ontem à noite, contra o Coritiba, no Couto Pereira, a sua melhor participação em campeonatos paranaenses. A diretoria do clube, comandada pelo presidente Marco Antônio Franzatto e com Luiz Bersani no comando do futebol, começou a organizar o time em novembro do ano passado e colhe agora os frutos, até certo pontos, surpreendentes. “Nós estamos fazendo o melhor, mas mesmo com todo o otimismo, não pensávamos que em tão pouco tempo estaríamos brigando pelo título”, diz Bersani.

O Cianorte retornou à Série Ouro esse ano e teve que mobilizar toda a cidade para conseguir montar um time competitivo. Da Prefeitura, o clube ganhou alimentação e transporte, bem como o direito de utilizar o Estádio Albino Turbay. Dos empresários locais, um pouco de ajuda de cada. E da população, o apoio maciço nos jogos. “Cianorte conta com mais de 500 empresas da área têxtil e cada uma delas contribuiu como pôde. Em troca, colocamos placas no estádio, sempre lotado”, diz. De fato, o povo de Cianorte fez bonito e deu ao Cianorte, até agora, a quarta melhor média de público – só fica atrás de Atlético, Coritiba e Rio Branco.

Todo o sucesso empolgou a diretoria, que já faz planos de disputar a série C do campeonato brasileiro. “Se entrarmos na disputa, teremos que arcar com as despesas, já que esse benefício será dado apenas ao Nacional, vice do torneio da morte”, lamenta Bersani, já que sua equipe fez uma campanha bem melhor que o time de Rolândia.

CAMPEONATO PARANAENSE
SEMIFINAL
SÚMULA

Local: Couto Pereira (Curitiba).
Árbitro: Henrique França Triches.
Assistentes: Rogério Carlos Rolim e Vágner Vicentin.
Renda: R$ 78.465,00.
Público: 7.463 pagantes (8.717)
Gols: Aristizábal a 31? do 1.º tempo.
Cartões amarelos: Ataliba, Márcio Egídio, R. Batatinha e Tuta (Coritiba). Édson Santos, Wellington e Marcelo Lopes (Cianorte).
Expulsão: Leandro a 23? e Barbieri a 45? do 2.º tempo.

CORITIBA 1×0 CIANORTE

CORITIBA
Fernando; Jucemar, Miranda, Reginaldo Nascimento e Adriano (Lira); Márcio Egídio, Ataliba, Rodrigo Batatinha (Luís Mário) e Igor (Laércio); Tuta e Aristizábal. Técnico: Antônio Lopes.

CIANORTE
Adir; Édson Baiano, Édson Santos e Fábio Carioca; Wellington (Souza), Marcelo Lopes (Cléber), Cuca, Reginaldo e Barbieri; Samuel e Márcio (Leandro). Técnico: Caio Júnior.