O Coritiba entra no seu primeiro dia após o rebaixamento sem futuro definido. Com uma eleição em cinco dias, a atual diretoria apenas sai de cena, neste momento mais preocupada com as reações do torcedor do que propriamente com o clube. Sem comando, pois o presidente Rogério Portugal Bacellar sequer foi a Chapecó acompanhar o time, o Coxa terá um período de efervescência política, e de pouca movimentação para a montagem do time que disputará a Série B em 2018.

Coritiba é rebaixado para a segunda divisão!

As três chapas que disputam a eleição deste sábado acabaram criando, sem nenhuma combinação, um pacto de pouca exposição na última semana, evitando que o pleito fosse colocado como elemento que atrapalhasse a preparação alviverde para a partida, que terminou com derrota para a Chapecoense por 2×1. A partir de hoje, a campanha ganha força para os candidatos João Carlos Vialle, Pedro Guilherme de Castro e Samir Namur.

Caberá a eles definir que Coritiba entrará na próxima temporada. Não há queda de receita da televisão – por contrato, a TV Globo pagará o mesmo valor que foi pago para o Coxa em 2017, para a disputa da Série A. O orçamento sofrerá diminuição em outros pontos – queda de sócios, diminuição no valor do patrocínio, redução de investimentos, perda de jogadores para a vitrine da Série A.

Mesmo sendo o principal time da Segundona no ano que vem, o Coxa sabe que sofrerá para manter seus poucos destaques. Além da dificuldade natural de falta de exposição (ainda mais que o clube não tem acerto para a transmissão do Campeonato Paranaense), a demora para renovar por conta da eleição pode tirar do Alto da Glória jogadores como Thiago Carleto e Cléber Reis, prioridades naturais do time.

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Há uma quase certeza que os dois principais jogadores do time, o goleiro Wilson e o atacante Kléber, continuem no Coxa. Mas até eles poderiam sair, principalmente dependendo da avaliação que a nova diretoria vai ter destes jogadores e do atual elenco alviverde. Em resumo, tudo é dúvida, e possivelmente a maioria delas só será respondida a partir de sábado.

Posicionamento

Minutos depois do rebaixamento, o presidente Rogério Bacellar divulgou uma nota oficial pedindo desculpas à torcida pela queda do Coritiba. No texto, há uma tentativa de defesa da gestão. “Não houve, em nenhum momento nestes três anos, falta de empenho, envolvimento e responsabilidade por nossas ações. Oferecemos as melhores condições de trabalho para todos os profissionais e jogadores. Cuidamos zelosamente de nossa vida financeira. Potencializamos nossa equipe de trabalho. Fortalecemos a estrutura administrativa. Ainda assim, em campo, não obtivemos resultados na competição nacional”, diz o texto.

Além disso, o cartola divide a responsabilidade. “A queda foi resultado de uma lógica complexa, carregada de condições típicas deste esporte, de nosso clube; uma oscilação resultante da dinâmica histórica, da lógica financeira, de capital político e da aplicação de conhecimento a qual dirigentes eleitos (os ditos amadores) devem ser responsabilizados junto com aqueles que executam a atividade fim: entrar em campo”, afirma o presidente.

No final da nota, Bacellar informou que haverá amanhã uma entrevista coletiva (“exclusiva para jornalistas”, como informa o texto) para tratar do atual momento do Coritiba.

Confira a nota na íntegra:

À torcida do maior campeão do Paraná, nossas desculpas.
Ainda que não reflita as convicções e o nosso desejo de um Coxa campeão, a atual queda de divisão do Coritiba Foot Ball Club no futebol brasileiro é resultado das ações em conjunto de todos os responsáveis da diretoria, comissões técnicas e atletas.
Não houve, em nenhum momento nestes três anos, falta de empenho, envolvimento e responsabilidade por nossas ações. Oferecemos as melhores condições de trabalho para todos os profissionais e jogadores. Cuidamos zelosamente de nossa vida financeira. Potencializamos nossa equipe de trabalho. Fortalecemos a estrutura administrativa. Ainda assim, em campo, não obtivemos resultados na competição nacional.
As razões de queda não podem ser vistas superficialmente, resumidas em declarações, ações pontuais, culpa de uma ou de outra pessoa; não deveria ter sido assim em 2005 ou em 2009. Como nestas ocasiões, a queda foi resultado de uma lógica complexa, carregada de condições típicas deste esporte, de nosso clube; uma oscilação resultante da dinâmica histórica, da lógica financeira, de capital político e da aplicação de conhecimento a qual dirigentes eleitos (os ditos amadores) devem ser responsabilizados junto com aqueles que executam a atividade fim: entrar em campo.
Hoje, precisamos trilhar pelos caminhos capazes de quebrar paradigmas. Fortalecer medidas capazes de garantir ao Coxa um futuro seguro, sem risco de um colapso financeiro e com decisões técnicas acima de desejos políticos ou da passionalidade de torcedores. Somente o tempo irá mostrar que este processo pelo qual o Coritiba passa é imponderável para a adequação às exigências do mercado.
É nossa responsabilidade este momento. Levaremos esta marca para sempre. Todavia, levaremos também a certeza de caminhos seguros trilhados. Fica nosso desejo e esperança de um clube mais sólido e capaz de continuar sua história.
O Coritiba não irá parar. Em uma semana, o clube passará por uma eleição e nela será fundamental a participação dos sócios analisando, compreendendo, discutindo e separando discursos eleitoreiros daquilo que realmente se aplica à realidade deste esporte. Erros e acertos continuarão acontecendo. Resta a maturidade para entendermos nosso papel e como deveremos andar por nossos rumos.
Na próxima terça-feira será realizada uma coletiva de imprensa exclusiva para jornalistas na qual serão tratados todos os temas pertinentes do atual momento do Coritiba.
Saudações Alviverdes
Rogério Portugal Bacellar