O Coritiba teve nas mãos um acordo com o Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Mas não aceitou negociar e viu a pena de Kléber ser mantida no julgamento desta quinta-feira no pleno da entidade, no Rio de Janeiro. O capitão alviverde foi duramente criticado por procurador e auditores, e terá mesmo que ficar mais doze partidas fora, para completar os 15 jogos de suspensão pela cusparada e pelas agressões na partida contra o Bahia, voltando apenas na 26ª rodada do Campeonato Brasileiro, justamente contra o time baiano, no dia 27 de setembro. O acordo com a Procuradoria só não saiu porque o Coritiba não aceitou mais um jogo de gancho para o Gladiador e o pagamento de mais 30 mil reais de multa.

Mesmo com este resultado, o atacante esteve em campo na noite desta quinta-feira (13), na vitória por 4×1 sobre o Avaí. Pela regulamentação do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), a punição passa a ser aplicada a partir do dia seguinte de sua definição.

Como foi

O Coritiba iniciou o julgamento fazendo sua “proposta conciliatória”: em vez dos quinze jogos, seis partidas de suspensão e uma multa de 200 mil reais a ser paga pelo jogador. Segundo os advogados, era “o limite a que o clube se dispõe a chegar”. A posição alviverde deixava clara que não havia esperança de absolvição, e que o objetivo era a redução de pena, para que Kléber ficasse o mínimo de tempo possível afastado.

O surpreendente é que a Procuradoria do STJD tinha feito uma espécie de contraproposta, com o pagamento de R$ 230 mil de multa e com sete jogos de gancho. Apesar da diferença ser de um jogo e de R$ 30 mil, o Coxa não aceitou, e por isso o caso foi para o julgamento dos auditores.

Na defesa alviverde, o advogado Itamar Cortês definiu como exagero a posição da comissão disciplinar. “Com todo respeito ao voto da comissão disciplinar, foi em demasia. Nove partidas pela questão do cuspe é excessivo. Peço que se reforme para seis partidas, que seria a mínima”, afirmou, também falando que os filhos do atacante sofreram constrangimentos nos últimos dias por conta de toda a situação.

Já a Procuradoria veio com tudo. O procurador Felipe Bevilacqua começou lamentando que não houvesse saído a conciliação. “Fico triste de não ter conseguido a transação, porque transformaríamos um caso grave numa condenação abaixo do que poderia receber, e transformaria um caso de indisciplina em ajuda para quem precisa”, disse. Passada esta parte, veio o ataque. “Como pode um atleta experiente, já rodado, fazer tantos atos de indisciplina em um jogo de futebol, incluindo uma cusparada. É tudo o que um atleta experiente do futebol brasileiro não pode, transmitir atitudes tão desprezíveis”.

Era o tom da acusação contra o Gladiador. “Ele foi absolvido de uma cotovelada nítida, já saiu ganhando, foi condenado por um soco, no decorrer da partida praticou inúmeros atos de hostilidade, e para fechar, uma cusparada, que é um ato que aqui no tribunal é odiado, desprezado, por todos. Tão ou mais grave quanto uma agressão (…) Ele tentou, desde o primeiro minuto de jogo, criar uma situação hostil. Ele colocou em risco a segurança da partida”, completou o procurador.

Era de se esperar que o ritmo seria o mesmo. O relator Antônio Vanderler de Lima foi direto: “Cusparada é uma coisa abominável, nojenta. É melhor levar um soco. É um negócio de uma gravidade muito grande. A minha inclinação é para negar provimento (do recurso do Coritiba)”. Ele foi seguido integralmente pelo auditor João Bosco Luz, enquanto Otávio Noronha sugeriu a redução da pena para dez partidas.

Foi quando a auditoria Arlete Mesquita perguntou a Itamar Côrtes se seria possível o pagamento de multa de R$ 200 mil com gancho de sete partidas. Otávio Noronha pediu vistas, o vice-presidente do STJD Paulo César Salomão Filho suspendeu o julgamento e o advogado ganhou tempo para discutir com a diretoria alviverde a viabilidade de novo acordo, já que ficava claro que Kléber pegaria um gancho maior.

50 minutos depois, o caso foi retomado. Agora interessado em fechar o acordo, o Coxa foi alvejado por mais um ataque da Procuradoria. “Nesse momento é impossível a gente manter a transação. A culpa é muito mais do Coritiba de não ter aceitado por conta de uma partida”, atirou Felipe Bevilacqua”. O auditor Décio Neuhaus seguiu no ataque, e deu doze jogos para Kléber. Arlete Mesquita foi a única a divergir, dando seis jogos ao Gladiador, e Mauro Marcelo também votou em quinze partidas de gancho, que foi o resultado promulgado.